Operação da PF combate emissão de títulos de créditos falsos. Governo do DF pode ser envolvido
A Justiça decretou o afastamento temporário do presidente do Banco BRB, Paulo Henrique Costa, o PH Costa, e do diretor de Finanças e Controladoria da instituição, Dario Oswaldo Garcia Júnior.
As sentenças foram expedidas no âmbito da Operação Compliance Zero, que a Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira (18). O dono do banco Master, Daniel Vorcaro, foi detido na operação na noite desta segunda-feira (17).
As irregularidades na instituição ainda precisam ser devidamente determinadas. Nesta manhã, o diretor da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que as fraudes podem atingir até R$ 12 bilhões. Ele comentou o operação durante sua participação na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que investiga organizações criminosas. Os ativos estimados do Master são de R$ 45 bi, mas os valores precisam ser recalculados.
Estamos fazendo uma operação importante, com o Banco Central e Coaf atuando em conjunto, em um crime contra o sistema financeiro. Fala-se em R$ 12 bilhões, disse Andrei Rodrigues.
As ligações de Vorcaro com o governo do Distrito Federal, controlador do BRB, levantam suspeitas. Ricardo Capelli, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), atribuiu responsabilidade política ao governador Ibaneis Rocha (MDB) e à vice Celina Leão (PP).
“Diante dos indícios de rombo bilionário no BRB revelados pela Policia Federal, não resta outra alternativa a dupla Ibaneis-Celina a não ser renunciar, se afastar dos cargos para permitir que as investigações avancem. A Câmara Distrital precisa abrir uma CPI hoje!”, defendeu.
RENÚNCIA E CPI. Diante dos indícios de rombo BILIONÁRIO no BRB revelados pela @policiafederal , não resta outra alternativa a dupla Ibaneis-Celina a não ser RENUNCIAR, se afastar dos cargos para permitir que as investigações avancem. A Câmara Distrital precisa abrir uma CPI hoje!
— Ricardo Cappelli (@RicardoCappelli) November 18, 2025
Em nota, o banco estatal do Distrito Federal, BRB, confirmou que Costa e Júnior se afastarão de seus cargos por ao menos 60 dias e garantiu que seguirá operando normalmente, ” preservando a segurança das operações, dos clientes, dos parceiros e de toda sua estrutura operacional”.
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), determinou que o posto de Costa, que estaria em viagem aos Estados Unidos, seja ocupado por Celso Eloi de Souza Cavalhero, que é funcionário de carreira e atual superintendente da Caixa Econômica Federal.
Tentativa de compra
Em março deste ano, o BRB anunciou a intenção de comprar o Master por R$ 2 bilhões – valor que, segundo o banco estatal, equivaleria a 75% do patrimônio consolidado do Master.
A negociação chamou a atenção de todo o mercado, da imprensa e do meio político, pois, já na época a atuação do banco de Daniel Vorcaro causava desconfiança entre analistas do setor financeiro. No início de setembro, o Banco Central (BC) rejeitou a compra do Master pelo BRB.
Operação da PF
A Operação Compliance Zero é fruto das investigações que a PF iniciou em 2024, para apurar e combater a emissão de títulos de créditos falsos por instituições que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN).
As instituições investigadas são suspeitas de criar falsas operações de créditos, simulando empréstimos e outros valores a receber. Estas mesmas instituições negociavam estas carteiras de crédito com outros bancos.
Após o Banco Central aprovar a contabilidade, as instituições substituíam estes créditos fraudulentos e títulos de dívida por outros ativos, sem a avaliação técnica adequada. O Banco Master é o principal alvo da investigação instaurada a pedido do Ministério Público Federal (MPF).
Na mesma nota em que comenta a Operação Compliance Zero e os afastamentos de Costa e Júnior, o BRB afirma que “sempre atuou em conformidade com as normas de compliance e transparência, prestando, regularmente, informações ao Ministério Público Federal e ao Banco Central sobre todas as operações relacionadas [às negociações de compra do] Banco Master”.
Contexto
O Master tornou-se conhecido por adotar uma política agressiva para captar recursos, oferecendo rendimentos de até 140% do Certificado de Depósito Bancário (CDI) a quem comprava papéis da instituição financeira – uma promessa de ganhos superiores às taxas médias para bancos pequenos – em torno de 110% a 120% do CDI.
Operações do banco com precatórios (títulos de dívidas de governos com sentença judicial definitiva) também aumentaram as dúvidas sobre a situação financeira do Master, que ao emitir títulos em dólares, não conseguiu captar recursos.
Ontem (17), o grupo Fictor, de investimentos e gestão de empresas, anunciou que compraria o Master.
(com agências)
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