Nas redes sociais, o Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, ligado ao Departamento de Estado dos EUA, criticou a decisão e ameaçou responsabilizar quem colaborar com Moraes
O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, voltou a interferir em assuntos internos do Brasil após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinar prisão domiciliar para o ex-presidente Jair Bolsonaro. A medida foi tomada após Bolsonaro descumprir restrições impostas pelo Judiciário.
Nas redes sociais, o Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, ligado ao Departamento de Estado dos EUA, criticou a decisão e ameaçou responsabilizar quem colaborar com Moraes. “Deixem Bolsonaro falar! Os Estados Unidos condenam a ordem que impôs prisão domiciliar e responsabilizarão todos que colaborarem ou facilitarem condutas sancionadas”, afirmou o órgão.
Justice Moraes, now a U.S.-sanctioned human rights abuser, continues to use Brazil’s institutions to silence opposition and threaten democracy. Putting even more restrictions on Jair Bolsonaro’s ability to defend himself in public is not a public service. Let Bolsonaro speak!…
— Bureau of Western Hemisphere Affairs (@WHAAsstSecty) August 5, 2025
O ministro Alexandre de Moraes, já sancionado pelos Estados Unidos por violações de direitos humanos, continua usando as instituições brasileiras para silenciar a oposição e ameaçar a democracia. Impor ainda mais restrições à capacidade de Jair Bolsonaro de se defender…
— Bureau of Western Hemisphere Affairs (@WHAAsstSecty) August 5, 2025
Em seguida, o perfil oficial publicou mensagem do secretário-adjunto Cristopher Landau, que qualificou os atos do ministro como “impulsos orwellianos” que levam o Brasil a um “território desconhecido de ditadura judicial”.
One of the challenges of being a public official is that your actions are subject to criticism. It comes with the turf and you have to expect it. Apparently no one told this to Justice Moraes of Brazil’s Supreme Court, who today placed former President Bolsonaro under house… pic.twitter.com/2e3G5tC5xh
— Christopher Landau (@DeputySecState) August 5, 2025
A manifestação gerou repúdio no Brasil. Lindbergh Farias, líder do PT na Câmara, classificou a posição americana como “inaceitável” e acusou o governo dos EUA de ultrapassar limites ao atacar o STF e Moraes. Em redes sociais, declarou que o Brasil não será “protetorado de luxo nem neocolônia da extrema direita internacional”.
A interferência do governo dos EUA nos assuntos internos do Brasil é inaceitável. O Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, órgão oficial do Departamento de Estado, ultrapassou todos os limites ao atacar o STF e o ministro Alexandre de Moraes, por cumprir seu dever… https://t.co/tz3epFr0V0
— Lindbergh Farias (@lindberghfarias) August 5, 2025
O ex-presidente Jair Bolsonaro é investigado por suposta articulação com o filho Eduardo Bolsonaro para promover retaliações contra ministros do STF, em meio a acusações de tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A Procuradoria-Geral da República abriu investigação sobre possível obstrução do processo penal.
Entre as medidas cautelares impostas, estão restrições ao uso das redes sociais por Bolsonaro. Após descumprir a determinação ao postar mensagem por meio do perfil do senador Flávio Bolsonaro, Moraes decretou a prisão domiciliar do ex-presidente.
Em sua decisão, o ministro afirmou que “a Justiça é igual para todos” e que quem descumpre as medidas cautelares deve sofrer as consequências legais.
A defesa de Bolsonaro disse ter sido surpreendida pela prisão domiciliar, prometeu recorrer e afirmou que o ex-presidente não descumpriu qualquer decisão judicial. Segundo os advogados, a frase postada por Bolsonaro em vídeo “não pode ser entendida como descumprimento de medida cautelar nem como ato criminoso”.
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