Público gasta R$ 1,86 trilhão ao ano, valor semelhante ao PIB de Hong Kong e quase 50% superior ao de Portugal
Com um contingente de aproximadamente 20 milhões de consumidores, o mercado de alto luxo está experimentando um crescimento notável em escala global. Este público gasta cerca de R$ 1,86 trilhão por ano, o que equivale ao PIB de Hong Kong e é quase 50% superior ao PIB de Portugal.
Identificado por uma pesquisa realizada pela consultoria BCG (Boston Consulting Global) em parceria com a Fundação Altagamma, um grupo de marcas de luxo italianas, os consumidores de alto luxo demonstraram uma intenção de aumentar seus gastos com produtos e experiências luxuosas em cerca de 40%, em média, até meados de 2024. A pesquisa envolveu entrevistas com consumidores de países que lideram as compras de artigos de luxo em todo o mundo, incluindo o Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França, Itália, China, Japão, Coreia do Sul, Emirados Árabes, Arábia Saudita e Índia.
“O consumo de produtos de luxo já retornou ao patamar anterior à pandemia, depois de uma desaceleração, e deve encerrar este ano com crescimento entre 7% e 9%”, diz Flávia Gemignani, diretora do BCG. O consumo de experiências, como restaurantes, viagens e hotéis, porém, ainda está se recuperando, afirma.
A pesquisa define produtos de luxo, principalmente, como itens de moda, joias e beleza, nos quais os consumidores de alta renda gastam uma média de 39 mil euros por ano, ou R$ 206 mil (excluindo carros, iates, smartphones e smartwatches).
Um dos destaques na pesquisa foi a transformação do mercado de luxo na China durante a pandemia, com um aumento significativo no consumo de artigos de luxo no mercado interno. Hoje, 82% das compras de itens de luxo na China são feitas internamente, em comparação com 45% antes da pandemia.
Por outro lado, o consumidor brasileiro de alto luxo ainda demonstra preferência por compras no exterior, embora tenha retomado o consumo pós-pandemia. Flávia Gemignani observa que os brasileiros têm dificuldade em valorizar as marcas de luxo nacionais, apesar de exemplos como a grife de calçados Alexandre Birman ter calçado estrelas no Oscar de 2023.
Além das compras, os brasileiros endinheirados também estão dispostos a investir em experiências luxuosas em sua própria cidade. O Palácio Tangará, um hotel de categoria super luxo, registra altas taxas de ocupação durante os fins de semana, atraindo moradores de bairros como Pinheiros, Itaim e Jardins em São Paulo.
Embora o consumo de produtos de luxo online tenha aumentado durante a pandemia, a pesquisa aponta que o público de altíssima renda ainda não está completamente satisfeito com a experiência de compra online, uma vez que desejam serviços personalizados que costumam receber em lojas físicas.
Diversas marcas de luxo estão expandindo seus negócios no Brasil, como a TAG Heuer, que inaugurou uma boutique em Curitiba, e a Tiffany & Co, que abriu sua primeira flagship no shopping Iguatemi, em São Paulo.
