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Banco Central eleva projeção de crescimento econômico a 2,7%

Da redação
29 de setembro de 2022
O documento também apresentou previsão de alta de 1% para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2023

O Banco Central melhorou sua projeção de crescimento econômico em 2022 a 2,7%, ante estimativa de 1,7% feita em junho, conforme Relatório Trimestral de Inflação divulgado nesta quinta-feira (29). Assim, o terceiro trimestre deve ser mais positivo para a atividade econômica do que esperado anteriormente. 

O documento também apresentou previsão de alta de 1% para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2023. O Ministério da Economia também prevê expansão de 2,7% para o PIB este ano, mas enxerga uma alta de 2,5% em 2023. O mercado, segundo a pesquisa Focus mais recente, estima que a economia crescerá 2,67% em 2022 e 0,5% no ano que vem.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficará em 2,8% em 2025. Para 2022, 2023 e 2024, as estimativas são respectivamente de 5,8%, 4,6% e 2,8%, conforme divulgado na semana passada pela autoridade monetária.

Na avaliação do BC, a depreciação cambial, o crescimento das expectativas de inflação, crescimento do PIB mais forte do que o esperado e, principalmente, a possibilidade de retorno da tributação federal sobre combustíveis, foram os fatores para a revisão para cima das projeções de inflação.

“Especificamente para 2022, destaca-se o efeito das medidas tributárias, que foi o principal fator para a surpresa desinflacionária de -2,37 p.p. no trimestre encerrado em agosto. A elevação das projeções para 2023 resultou principalmente da hipótese de retorno da tributação federal sobre combustíveis”, aponta o relatório.

Por outro lado, segue o BC, o baixo grau de ociosidade do mercado de trabalho em economias avançadas sugere que pressões inflacionárias no setor de serviços podem demorar a se dissipar.

Em relação à política monetária, o BC reiterou que se manterá vigilante, avaliando se a estratégia de manutenção da taxa básica de juros por período suficientemente prolongado será capaz de assegurar a convergência da inflação. Atualmente, a taxa básica de juros está em 13,75% ao ano, após o BC ter decidido interromper o ciclo de aperto monetário.

Perspectiva global

O BC enxerga que a economia global continua a reduzir seu ritmo de crescimento nos últimos meses, embora ainda se observem efeitos da reabertura das economias pós-pandemia, especialmente sobre os setores de lazer e turismo.

Para a autoridade, o aperto da política monetária em diversos países centrais tem levado a revisões relevantes para as projeções de atividade e inflação global, e devem continuar sendo fatores de risco importantes no cenário internacional prospectivo.

Nos Estados Unidos, o BC avalia que já é possível observar alguma contração nos gastos de investimentos durante o segundo segundo trimestre, mas que o mercado de trabalho segue aquecido, o que continua a exercer pressão sobre os preços ao consumidor.

Já na Zona do Euro, a confiança dos empresários, das famílias e do mercado continua se reduzindo, levando a revisões negativas para o crescimento do próximo ano. Para o BC, medidas de natureza fiscal para conter o impactos dos preços de energia adicionam incerteza sobre o cenário prospectivo da região.

Na China, a atividade econômica continua em desaceleração como reflexo da política de covid zero, que impõe restrições à mobilidade da população. O BC destaca ainda o aprofundamento da crise no setor imobiliário e, mais recentemente, da perda de dinamismo da demanda externa.

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