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Rússia ataca Ucrânia com mísseis, mas nega invasão

Da redação
24 de fevereiro de 2022
Após ameaças, Putin ordena bombardeios justificados em defesa da população russófona de Donbass, onde se concentra a indústria. Há relatos imprecisos de blindados cruzando a fronteira de Belarus
Vídeo de um morador das redondezas de uma base

Na madrugada desta quinta-feira (24), o presidente da Rússia, Vladimir Putin, autorizou a invasão militar da Ucrânia, depois de quatro meses de crise diplomática entre os países. O episódio é considerado a mais grave crise militar na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Os ucranianos afirmam ser vítimas de uma invasão total, enquanto os russos afirmam que os ataques foram pontuais, direcionados à infraestrutura militar do vizinho, que é bem menos poderoso. Os russos afirmam ter acabado com a capacidade de resposta aérea e antiaérea.

Putin fez um pronunciamento na TV afirmando que ordenou uma “operação militar especial” na região de Donbass, região de maioria russa étnica no leste ucraniano que Moscou passou a considerar formada por repúblicas separatistas. O líder russo citou emprego de mísseis de precisão, mas foi vago sobre a presença de tropas em território estrangeiro. Em Donbass está concentrada a indústria pesada da Ucrânia.

Os relatos são imprecisos. Os rebeldes russos afirmam que avançam com apoio russo. Já Kiev diz que as tropas são russas mesmo, o que configuraria uma invasão territorial clássica. Há boatos de ataques de mísseis em Odessa, no litoral do Mar Negro, e que tanques cruzaram a fronteira a partir de Belarus.

O presidente Volodymyr Zelenski divulgou vídeo confirmando o ataque russo a pontos de fronteira e bases militares, pedindo calma. Ele citou que o presidente Joe Biden prometeu apoio dos EUA.

Putin não concorda com a intenção do governo ucraniano de instalar misseis da OTAN em seu território e vinha constantemente ameaçando a nação vizinha. O presidente russo afirmou que o melhor caminho para os ucranianos era a rendição. “Quem tentar interferir ou criar ameaças para o nosso país e o nosso povo, deve saber que a resposta da Rússia será imediata e levará a consequências nunca antes experimentadas na história”, ameaçou. O autoritário líder fala em “desnazificar” a Ucrânia, se referindo ao descumprimento dos termos do Acordo de Minsk, na qual o país se comprometeu em dar alguma autonomia à população russófona. É um disparate. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenski, é judeu.

Em um post para rede social, o jornalista brasileiro Yan Boechat, que está em Kiev, comentou que “de longe sempre parece bem mais perigosa do que é de verdade”. Ele minimizouo risco aos civis: “Do outro lado da fronteira não está o Estado Islâmico, está um exército profissional com ligações culturais e históricas com o povo daqui”.

Comparação

Volodymyr Zelensky também exagerou na guerra narrativa ao comparar os ataques da Rússia ao da Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Em uma série de publicações nas redes sociais, o mandatário afirmou que, a partir de hoje, “nossos países estão em lados diferentes da história”.

“A Rússia atacou traiçoeiramente nosso estado pela manhã, como a Alemanha nazista fez”, escreveu nesta quinta-feira 24. “A Rússia embarcou em um caminho do mal, mas a Ucrânia está se defendendo e não desistirá de sua liberdade, não importa o que Moscou pense”.

Mais cedo, Zelensky comunicou o corte de relações com o país de Vladimir Putin. “Para todos aqueles que ainda não perderam a consciência na Rússia, é hora de sair e protestar contra a guerra com a Ucrânia”.A conta oficial da Ucrânia no Twitter postou também uma caricatura representando o líder nazista Adolf Hitler e Putin

(em atualização)

O que MONEY REPORT publicou

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