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Remédio errado; perigo 12 por 8; fora da ANS; câncer de Bolsonaro; 20% mais leve

Da redação
21 de setembro de 2025

Boletim de MR sobre medicina, pesquisa, inovação, saúde mental, negócios e políticas públicas

O que faz crianças com TDAH receber tratamento errado

Estudo publicado no Jama Network Open destaca uma lacuna no atendimento médico para crianças de 4 e 5 anos com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH). As diretrizes de tratamento recomendam que essas crianças e suas famílias experimentem seis meses de terapia comportamental antes de iniciar a medicação para TDAH.

Mas os pediatras geralmente prescrevem medicamentos imediatamente após o diagnóstico, de acordo com uma análise de registros médicos de quase 10.000 crianças pequenas com TDAH que receberam atendimento em oito redes de saúde pediátrica nos Estados Unidos. Além disso, medicamentos estimulantes prescritos para a doença causam mais efeitos colaterais em pacientes jovens do que em crianças mais velhas, disse Bannett. Antes dos 6 anos, o corpo das crianças não metaboliza totalmente os medicamentos.

Pressão 12 por 8 vira pré-hipertensão

Uma nova diretriz brasileira de manejo da pressão arterial passa a considerar a aferição 12 por 8 não mais como pressão normal, mas como indicador de pré-hipertensão. O documento foi elaborado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, pela Sociedade Brasileira de Nefrologia e pela Sociedade Brasileira de Hipertensão.

De acordo com a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025, a reclassificação tem como objetivo identificar precocemente indivíduos em risco e incentivar intervenções mais proativas e não medicamentosas no intuito de prevenir a progressão do quadro de hipertensão dos pacientes.

A partir de agora, portanto, para que a aferição passe a ser considerada pressão normal, ela precisa ser inferior a 12 por 8. Valores iguais ou superiores a 14 por 9 permanecem sendo considerados quadros de hipertensão em estágios 1, 2 e 3, a depender da aferição feita pelo profissional de saúde em consultório.

Nas redes sociais, a Sociedade Brasileira de Cardiologia avaliou o documento como fundamental no sentido de orientar a prática clínica de cardiologistas em todo o país. “Atualização essencial para quem busca fazer medicina baseada em evidências e alinhada às recomendações mais recentes”, postou a entidade.

Pílula emagrecedora pode reduzir 20% do peso

O medicamento, chamado orforglipron, fabricado pela Eli Lilly, tem como alvo os mesmos receptores GLP-1 que as injeções para perda de peso, como Mounjaro e Wegovy. Em um estudo com 3.127 adultos, uma em cada cinco pessoas que tomaram o comprimido uma vez ao dia por 72 semanas perdeu 20% ou mais do peso corporal.

Entre os pacientes que tomaram as doses mais altas, 54,6% tiveram uma redução de 10% ou mais do peso corporal, 36% tiveram uma redução de 15% ou mais e 18,4% tiveram uma redução de 20% ou mais. Apesar dos resultados promissores, o medicamento ainda não foi aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA nem por órgãos reguladores de outros países. 

O que MR publicou

Quais são as regras para procedimentos fora do rol da ANS

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu permitir que os planos de saúde sejam obrigados a cobrir procedimentos que não estão no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a lista de procedimentos que devem ser cobertos obrigatoriamente pelos planos.

Com a decisão, a Corte considerou constitucional obrigar as operadoras a cobrir tratamentos ou procedimentos fora do rol da ANS. A cobertura de tratamentos fora do rol deverá levar em conta cinco parâmetros, que devem estar presentes cumulativamente nos casos que forem analisados.

Parâmetros

  • Prescrição do tratamento por medico ou odontólogo habilitado;
  • Inexistência de negativa expressa ou pendência de análise de atualização do rol da ANS;
  • Inexistência de alternativa terapêutica que já esteja no rol da ANS;
  • Comprovação de eficácia e segurança do tratamento conforme na medicina baseada em evidências;
  • Existência de registro da Anvisa. 

Decisões judiciais

Nas decisões judiciais envolvendo autorizações para tratamentos que não constam no rol da ANS, o Supremo entendeu que o juiz deverá fazer diversas verificações antes de decidir o caso. Se a orientação não for seguida, a decisão judicial poderá ser anulada.

  • Verificar se houve requerimento prévio à operadora e se houve demora irrazoável ou omissão da operadora na autorização do tratamento;
  • Analisar previamente informações do banco de dados do Núcleo de Apoio Técnico do Poder Judiciário (NATJUS) antes da decisão. O magistrado não poderá fundamentar sua decisão apenas na prescrição ou lado médico apresentado pelo usuário do plano. 
  • Em caso de concessão da liminar favorável ao usuário, o juiz deverá oficiar a ANS sobre a possibilidade de inclusão do tratamento no rol de procedimentos.
O que é e qual o tratamento para o câncer de Bolsonaro

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-SP) foi diagnosticado esta semana com o carcinoma de células escamosas, após a análise de oito lesões retiradas no último domingo (14). Duas dessas lesões apresentaram resultado positivo, mas estavam em estágio inicial e já foram removidas. Ela se desenvolve na camada superficial da pele, a epiderme.

A doença é o segundo tipo mais comum de câncer de pele (20%), representando cerca de 5% dos casos totais no país, de acordo com os Anais Brasileiros de Dermatologia.

Após o dermatologista identificar manchas suspeitas, é feita a biópsia para confirmar se as células são benignas ou malignas. Em seguida, é feita a retirada, que, na maioria das vezes, é o suficiente. Em alguns casos, é necessário alternativas complementares, como laserterapia, radioterapia e imunoterapia.

Medicamento pode ser a cura para a doença hepática gordurosa mortal

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia em San Diego identificaram um novo medicamento experimental que se mostra promissor no tratamento da esteato-hepatite associada à disfunção metabólica (MASH), uma forma grave de doença hepática gordurosa associada à obesidade e ao diabetes tipo 2, que pode levar à cirrose, insuficiência hepática e até câncer de fígado.

O estudo, publicado na revista The Lancet, descobriu que o medicamento ION224 tem como alvo uma enzima hepática chamada DGAT2, que desempenha um papel fundamental na forma como o fígado produz e armazena gordura. Ao bloquear essa enzima, o medicamento ajuda a reduzir o acúmulo de gordura e a inflamação, dois dos principais causadores de danos hepáticos na MASH.

O ensaio clínico multicêntrico de Fase IIb envolveu 160 adultos com MASH e fibrose inicial a moderada nos Estados Unidos. Os participantes receberam injeções mensais do medicamento em diferentes doses ou um placebo ao longo de um ano. Na dose mais alta, 60% apresentaram melhoras notáveis ​​na saúde hepática em comparação com o grupo placebo. Esses benefícios ocorreram independentemente da alteração de peso, sugerindo que o medicamento poderia ser usado em conjunto com outras terapias. O medicamento não apresentou efeitos colaterais graves associados ao tratamento.

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