Boletim de MR sobre medicina, pesquisa, inovação, saúde mental, negócios e políticas públicas
Óxido nitroso contra a depressão
Pacientes com depressão intensa que não apresentam melhora com os antidepressivos comumente prescritos podem se beneficiar de um tratamento de curto prazo com óxido nitroso, de acordo com uma meta-análise liderada pela Universidade de Birmingham, no Reino Unido. Conhecido com gás do riso, a substância é usada em pequenos procedimentos por ser analgésico leve.
Publicado na “eBioMedicine” em 30 de novembro, o artigo revisou os dados clínicos para explorar como o óxido nitroso (N₂O) administrado clinicamente pode proporcionar alívio rápido aos sintomas depressivos em adultos com transtorno depressivo maior (TDM) e depressão resistente ao tratamento (DRT).
A análise mostrou que uma única sessão de óxido nitroso clínico inalado a 50% levou a reduções rápidas e significativas nos sintomas depressivos em 24 horas. No entanto, essas melhorias geralmente não persistiram após uma semana. Quando os pacientes receberam tratamentos repetidos ao longo de várias semanas, os benefícios duraram mais tempo, indicando que um ciclo de múltiplas sessões, em vez de uma dose única, pode ser necessário.
Mais estudos são necessários para atestar a segurança. Alguns participantes apresentaram náuseas, tonturas e dores de cabeça, mas esses problemas foram passageiros e se resolveram sem a necessidade de tratamento médico. Doses mais altas, com concentração de 50%, foram associadas a uma maior probabilidade de ocorrência desses efeitos colaterais, embora nenhum dos estudos tenha identificado preocupações imediatas. Publicação: Science Daily (02/12/25)
Estudo que defendia glifosato era uma farsa
A revista Regulatory Toxicology and Pharmacology retirou do ar um abrangente artigo científico de 2000 que se tornou peça de defesa ao uso do herbicida Roundup, da Monsanto. O estudo alega que o princípio ativo glifosato não causa nenhum tipo de câncer, risco reprodutivo e efeito adverso no desenvolvimento endócrino em pessoas ou animais. Após décadas, foi comprovado que os dados foram falseados.
Documentos vieram à tona em ações judiciais movidas por pacientes de câncer nos EUA que cobram indenizações da empresa. Um e-mail da funcionária de assuntos governamentais Lisa Drake cita colegas e “seu trabalho árduo ao longo de três anos de coleta de dados, redação, revisão e construção de relacionamento com os autores dos artigos”. Em 2015, o pesquisador William Heydens, sugeriu que ele e seus colegas escrevessem “em nome de terceiros” outro artigo científico. A Monsanto poderia pagar cientistas externos para “editar e assinar” o trabalho que ele e outros fariam, escreveu em um e-mail. “Foi assim que lidamos com o caso de Williams Kroes e Munro, em 2000.”
Com a revelação, além da retratação, o editor-chefe da publicação, Martin van den Berg, afirmou em nota oficial que tomou essa medida devido às “sérias preocupações éticas com relação à independência e responsabilidade dos autores deste artigo e à integridade acadêmica dos estudos de carcinogenicidade apresentados”.
De autoria de Gary Williams, Robert Kroes e Ian Munro, cientistas sem ligação com a empresa, o estudo “Avaliação de Segurança e Análise de Riscos do Herbicida Roundup e seu Ingrediente Ativo, Glifosato, para Humanos” foi usado como prova da segurança, incluindo pela Agência de Proteção Ambiental (EPA). Kroes e Munro já faleceram e Williams não se manifestou. Publicação: The Guardian (05/12/25)
O que MR publicou
SUS terá teleatendimento para compulsão por bets
Jogos e apostas, em especial as eletrônicas, via sites e aplicativos de bets, prejudicam as finanças e a saúde de milhões de brasileiros. Diante desse cenário, os ministérios da Saúde e da Fazenda lançaram iniciativas para prevenção do vício ou compulsão por jogos, tanto para a saúde física, como para a mental e financeira dos usuários. Estudo recente apontou que as bets provocam perdas econômicas e sociais ao país estimadas em R$ 38,8 bilhões anualmente. 

Entre as ferramentas está uma plataforma de autoexclusão que, a partir do dia 10 de dezembro, permitirá ao apostador que deseja interromper o vício solicitar ser bloqueado dos sites de apostas, além de deixar seu CPF indisponível para novos cadastros ou para o recebimento de publicidade das bets.
O acordo cria também, entre as medidas de prevenção e cuidado, o Observatório Brasil Saúde e Apostas Eletrônicas. Ele será um “canal permanente de troca de dados entre as pastas”, de forma a viabilizar ações integradas de apoio para que esses usuários busquem ajuda nos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). Publicação: Agência Brasil (03/12/25)
SP vacina grávidas contra VSR

Desde sábado (6), gestantes a partir da 28ª semana de gestação terão acesso à vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR). A vacina previne infecções graves em bebês menores de seis meses de idade. O vírus é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e 40% dos casos de pneumonia em crianças menores de dois anos. Disponível no SUS, a vacina oferece proteção imediata aos recém-nascidos, reduzindo hospitalizações. Não há restrição de idade para a mãe. A recomendação é tomar dose única a cada nova gestação. De acordo com o Ministério da Saúde, a vacinação materna demonstrou uma eficácia de 81,8% na prevenção de doenças respiratórias graves causadas pelo VSR nos bebês durante os primeiros 90 dias após o nascimento.
Segundo a prefeitura de São Paulo, aos sábados, o serviço de vacinação acontece nas Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAs)/Unidades Básicas de Saúde (UBSs) Integradas, das 7h às 19h. De segunda a sexta-feira, a imunização pode ser tomada nas UBSs, das 7h às 19h. Para se vacinar, a gestante precisa estar com um documento de identificação e comprovante de 28 semanas de gestação. Para facilitar o acesso da população, a disponibilidade da vacina pode ser consultada pelo site Olho na Fila. A localização dos equipamentos da rede municipal pode ser consultada na plataforma Busca Saúde. Publicação: Agência Brasil (06/12/25)
Agrotóxicos atingem mais as populações já vulneráveis

A contaminação por agrotóxicos no Brasil atinge uma população em alta vulnerabilidade, considerando os recortes de gênero, raça e território. A avaliação é da arquiteta e urbanista Susana Prizendt, integrante da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida (Cpcaov). Para ela, esse é uma população também submetida à fome e à insegurança alimentar
. “Muitos lugares simplesmente não têm opção [de consumir alimentos livres de agrotóxicos]. Mal tem opção de alimento in natura, porque agora os ultraprocessados estão tomando praticamente todo o espaço. Agora você tem só esse monte de coisa embalada”, afirmou Prizendt.
A declaração foi dada durante homenagem ao cineasta Sílvio Tendler, após a exibição de seu documentário “O Veneno Está na Mesa II”, durante o São Paulo Food Film Fest 2025. Tendler produziu também “Josué de Castro – Cidadão do Mundo” (1994), sobre o médico autor “O problema da alimentação no Brasil” e “Geografia da Fome”. Publicação: Agência Brasil (06/12/25)
