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Enem é adiado por até 60 dias

Da redação
20 de maio de 2020
Weintraub

Pressionado por políticos e pela opinião pública, o Ministério da Educação anunciou, na tarde desta quarta-feira (20), o adiamento por até 60 dias das as provas do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), que qualifica alunos do ensino médio para vagas em cursos superiores.

Responsável pelo exame, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inem) emitiu nota oficial: “Atento às demandas da sociedade e às manifestações do Poder Legislativo em função do impacto da pandemia do coronavírus no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e o Ministério da Educação (MEC) decidiram pelo adiamento da aplicação dos exames nas versões impressa e digital. As datas serão adiadas de 30 a 60 dias em relação ao que foi previsto nos editais. Para tanto, o Inep promoverá uma enquete direcionada aos inscritos do Enem 2020, a ser realizada em junho, por meio da Página do Participante. As inscrições para o exame seguem abertas até as 23h59 desta sexta-feira, 22 de maio.”

Pela manhã, o ministro Abraham Weintraub admitiu, pela primeira vez, a possibilidade de adiar as provas. Ele é um defensor da manutenção do calendário, marcado para novembro, alegando que a crise do coronavírus prejudicava a todos e que os 4 milhões de inscritos precisam ser ouvidos. Todavia, educadores e pedagogos afirmam que candidatos de baixa renda ficariam em desvantagem ainda maior, pois não possuem condições adequadas de estudo em casa e nem acesso contínuo para acompanhar aulas on-line.

Foi um recuo do ministro diante de uma possível derrota. Na terça-feira (19), o Senado aprovou um projeto de lei que adia a aplicação do Enem e de demais processos seletivos de acesso à educação superior, como vestibulares. O texto foi para votação no plenário da Câmara dos Deputados com chances de ser aprovado.

Nesta manhã, o presidente Jair Bolsonaro chegou a comentar a possibilidade com os correligionários que costumam ficar na frente do Palácio da Alvorada: “Depois que adia você não sabe quando. Tem pedido da Câmara, parlamentares que querem adiar, outros não. Você quer que as eleições sejam adiadas também? Vamos esperar um pouquinho mais, é muito cedo. Estamos em maio, é em novembro. Vamos esperar um pouquinho mais para tomar a decisão. Vamos ver como se comporta?”

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