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Senado aprova Kassio Nunes Marques, o novo ministro do STF

O currículo com informações falsas e a alegação de plágio em sua tese de mestrado não impediram que o desembargador Kassio Nunes Marques fosse aprovado em votação do plenário do Senado, nesta quarta-feira (21). Indicado pelo presidente Jair Bolsonaro, ele recebeu 57 votos a favor e 10 contra, e irá assumir a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) que era do ocupada por Celso de Mello, que se aposentou pouco antes de atingir a idade limite de 75 anos, após 31 anos na mais alta corte do país. Antes, Marques foi sabatinado por cerca de 10 horas a partir desta manhã pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, sendo aprovado por 22 votos a 5.

Entre seus comentários e observações junto aos membros da CCJ, Kassio Nunes Marques disse que devido a problemas na legislação e na atuação da Justiça na fiscalização dos gestores públicos, muitos atualmente não querem exercer funções na administração pública pela “claudicância e variedade de interpretações”, o que, segundo ele, gera insegurança.

O desembargador não quis avaliar casos de contratações feitas durante a pandemia do novo coronavírus, mas afirmou que é importante o juiz do caso levar em consideração a circunstância em que foi feita a compra. Para ele, são necessárias “normas mais claras e prudência” por parte do magistrado.

Marques diz que cabe ao juiz aplicar a lei e a Constituição. “A postura do magistrado é aplicar a lei e a Constituição vigentes naquele momento, independentemente se isso vai satisfazer anseios e clamores, o calor do clamor popular naquele momento, porque, agindo assim, esse clamor vai ecoar no foro próprio, que é o Congresso Nacional, onde estão os legítimos representantes do povo, onde os senhores convivem com a sociedade no seu dia a dia”, disse.

Presunção de inocência

Durante a sabatina, o indicado à vaga deixada pela aposentadoria do ministro Celso de Mello reforçou seu perfil garantista várias vezes, por exemplo, quando falou sobre presunção de inocência. “A presunção de inocência perpassa pela criminalização da advocacia, da política. É caro à sociedade brasileira. Não podemos limitar a incidência do tema à prisão em 2ª instância. É um instituto que deve ser preservado”, defendeu.

Juiz de garantias

Com relação ao juiz de garantias, o desembargador lembrou que, apesar de ser aprovado pelo Congresso, existe uma suspensão no Supremo Tribunal Federal. Ele afirmou que a divergência com o Parlamento tem a ver em como esse instrumento será ‘procedimentalizado’.

“Entre o que foi construído, edificado normativamente e a realidade há uma certa distância, especialmente no caso de tribunais como o da 1ª Região, que se agigantou, se interiorizou. Nós criamos subseções judiciárias em todos os estados, varas especializadas, juizados especiais. Então, absolutamente, não tem o que se falar neste momento nada contra o juiz de garantia. Tudo que for de garantia, acho que é importante, mas a dúvida talvez esteja no Supremo, em torno de como dar efetividade a esse instituto”, ressaltou.

LGBTQ+

Sobre o que pensa sobre os direitos já reconhecidos pela Justiça pela comunidade LGBTQI+, como casamento e adoção, o magistrado evitou polêmicas. “Temos uma cultura jurídica no país. Há pacificação social no que diz respeito a isso. Compete ao Congresso transformar em norma”, afirmou, sobre o fato de muitos desses direitos não estarem previstos em lei.

(com Agência Brasil)

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