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Queiroga dá voltas retóricas para defender tratamento ineficaz

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, durante sua primeira apresentação como titular da pasta, nesta quarta-feira (24), apelou para malabarismos retóricos para conjugar o que é comprovado pela medicina com os tratamentos ineficazes preconizados pelo presidente Jair Bolsonaro. Ele também se apresentou favorável ao distanciamento social e ao uso de máscaras, mas contra qualquer tipo de isolamento compulsório severo diante da elevação assustadora das mortes. “As pessoas não aderem”, disse.

Diante de questionamentos, usou de certo contorcionismo lógico. Queiroga citou a lei orgânica da saúde, colocou a relação médico paciente acima das evidências mais recentes e falou em “conhecimento científico dinâmico” para justificar o emprego do kit covid. Ou seja, defendeu sua posição com argumentos superados no mínimo desde setembro do ano passado, quando a efetividade da cloroquina e da ivermectina começaram a ser derrubadas. Para piorar, hoje pesquisadores Unicamp divulgaram ter encontrado uma relação entre casos de hepatite e os remédios do kit. O conhecimento dinâmico do ministro aponta para o passado quando lhe convém. Pois logo depois, ele aplicou um cavalo de pau epistêmico (não há outro termo): “Claro que tem que se observar segurança e eficácia dos tratamentos”.

Queiroga tem razão quando faz referência ao remdesivir, antiviral rejeitado após testes e depois aprovado nos Estados Unidos como tratamento experimental. Os pacientes ou seus parentes precisam assinar um termo de autorização antes de seu emprego. O antiviral também foi autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Mas o exemplo não encontra comparação razoável no caso do kit covid.

O aspecto mais positivo foi a defesa da ampla vacinação. Porém, Queiroga não apresentou nenhum garantia de entrega dos lotes e insumos vindos do exterior. Desde fevereiro ocorreram seis atrasos ou encolhimentos nas remessas. “Vacinamos 300 mil por dia, mas podemos chegar a 1 milhão ao dia ou mais. Não quero me comprometer”, explicou.

Um ano depois, o ministro também anunciou a criação de uma secretaria especial do Ministério da Saúde para a pandemia.

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