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Qual é a intenção de Kajuru ao divulgar sua conversa com o presidente?

Antes de mais nada, não é crime alguém gravar uma conversa na qual está envolvido. Mesmo quando esse interlocução envolve o presidente da República. Lembremos o episódio em que Joesley Batista registrou seu bate-papo com o então mandatário Michel Temer (que disse sobre a ajuda financeira a qual o empresário dava a Eduardo Cunha: “Tem que manter isso aí, viu?”). O caso, que diminuiu consideravelmente o capital político de Temer e inviabilizou a votação da reforma da previdência em 2017 (agravado pelo vídeo em que Rodrigo Rocha Loures sai correndo pela Alameda Pamplona, em São Paulo, arrastando uma valise cheia de dinheiro vivo), sacudiu a república. Mas nunca se levantou a questão de que o áudio teria sido obtido ilegalmente.

Ontem (11), o senador Jorge Kajuru divulgou uma gravação na qual ele dialoga com o presidente Jair Bolsonaro sobre a CPI da Pandemia. O presidente claramente pressiona o senador para que sejam incluídas na Comissão investigações sobre governos estaduais e prefeituras. E, muito bravo, disse pela manhã que “gravação, só com autorização judicial”. Não é exatamente o que versa a lei. Se um dos participantes quiser registrar uma conversa, esse procedimento não só é legal como a gravação pode ser utilizada legalmente.

Isso devidamente esclarecido, vale questionar qual seria a razão para o senador Kajuru divulgar o áudio.

Durante toda a gravação, Kajuru mostra-se receptivo às demandas de Bolsonaro e diz concordar com suas colocações. Até apresenta uma inciativa e recebe um elogio. “Você é dez”, afaga o presidente. Durante a conversa, percebe-se uma grande vontade de colaborar por parte do senador, não só pelas frases como pelo tom de voz usado.

A divulgação, assim, só pode ser explicada por um dos quatro fatores abaixo:

  • Kajuru soltou o áudio por vaidade, querendo mostrar proximidade com Bolsonaro.
  • O senador não avaliou o estardalhaço que o conteúdo poderia gerar.
  • O parlamentar é um grande ator e montou uma arapuca na qual o presidente caiu.
  • Bolsonaro e Kajuru combinaram o jogo para pressionar o Supremo Tribunal Federal e o Congresso.

Assim, das quatro, uma: o senador é vaidoso, palerma, falso ou dissimulado.

Mas não sejamos apressados. Há também a possibilidade extrema de ele possuir essas quatro características ao mesmo tempo.

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