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Quais as diferenças entre a pandemia em Nova York e São Paulo?

Maior cidade dos Estados Unidos, com 8,6 milhões de habitantes, na quinta-feira (26), Nova York somou 5,3 mil pacientes em tratamento contra o coronavírus, com 100 vítimas fatais em apenas 24 horas. Distante 7,7 mil quilômetros, São Paulo, com 12,8 milhões de habitantes, contava com 84 pacientes em UTI e 20 vítimas fatais no mesmo período. A frieza dos dados, porém, pode enganar.

De acordo com o infectologista do Instituto Emilio Ribas, Wladimir Queiroz, há diferenças entre os ritmos de contágio, as metodologias de contenção social, os protocolos de exames e nas características socioeconômicas. O que é considerado certo é que a pandemia atingiu Nova York primeiro, já que se trata de um centro econômico global, o que explica a grande quantidade de infectados. A partir daí, há poucas similaridades. Para Queiroz, a quantidade de vítimas fatais se deve a dois fatores. A presença da doença na cidade há mais tempo e às medidas protetivas, que entraram em vigor há cerca de 10 dias, mas que foram conduzidas inicialmente de modo mais frouxo. Já na capital paulista, o isolamento social começou há duas semanas com mais força por pressão das autoridades sanitárias.

Nova York registra mais gente infectada por ter optado por avaliar até quem não apresentava sintomas, o que permitiu detectar casos assintomáticos. No Brasil, o teste só é feito em quem apresenta condições moderadas e graves. A contingência dos assintomáticos é feita preventivamente pelo isolamento social em massa. Um artigo da revista Science estimou que a maior parte dos contágios se dá a partir de quem tem poucos ou nenhum sintoma.

Não há razões para otimismo desenfreado entre os paulistas – e brasileiros –, nem pessimismo fatalista entre novaiorquinos, já que a pandemia é dinâmica. “Em São Paulo, o quadro pode ficar pior por causa das condições socioeconômicas. Há mais gente pobre e o clima já começou a esfriar. Duvido que a população mais carente vá deixar suas residências ventiladas”, afirmou Queiroz. Já em Nova York, o isolamento pode começar a dar resultado. “Daqui umas duas semanas vamos ver”, disse.

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