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Políticos não deveriam desabafar pela imprensa, como Rodrigo Maia

O deputado Rodrigo Maia pode ser considerado o grande perdedor com a eleição de Arthur Lira para a presidência da Câmara – mais até que o opositor de Lira no pleito, Baleia Rossi. Maia foi o articulador da candidatura de Rossi e alimentou esperanças de que poderia derrotar a máquina do Planalto. O governo veio com munição de sobra para essa disputa e passou por cima de Maia e Rossi, liquidando a fatura ainda no primeiro turno.

Ao deixar a presidência da Câmara, tornou-se um deputado como outro qualquer. Mas está lambendo as feridas e, neste estado, pode falar mais do que deveria. Foi o que fez em entrevista ao jornal Valor Econômico, publicada hoje. Trata-se de um autêntico desabafo, durante o qual culpa diretamente o governador Ronaldo Caiado e o prefeito Antônio Carlos Magalhães Neto como responsáveis pela mudança de posição de seu partido, o DEM.

A direção da agremiação, a mesma de Maia, havia sinalizado que apoiaria Rossi. Mas, às vésperas da eleição, decidiu pela neutralidade e liberou seus deputados para votar como quisessem. Foi o que bastou para a debandada final do partido em direção a Lira.

Maia não assume sua parte na responsabilidade desta derrota. O ex-presidente da Câmara apostou que ele poderia ser mais uma vez candidato à própria sucessão e não trabalhou com a antecedência necessária o nome de Baleia Rossi. Quando oficializou Baleia como seu candidato preferido, Lira já estava passando o rolo compressor em cima dos colegas, oferecendo cargos, verbas federais e um discurso de administrar a Câmara de acordo com a vontade dos parlamentares (na visão de Maia, porém, apenas Caiado e ACM Neto teriam provocado a derrota de seu candidato).

Políticos não deveriam dar entrevistas quando estão se sentindo traídos. A emoção os leva a dinamitar pontes e tornar acordos futuros mais difíceis. Traição é um dos elementos mais comuns dentro da política. Pode-se esbravejar e se contorcer contra uma deslealdade. Mas o traidor de hoje pode ser o aliado de amanhã.

Ao não reconhecer sua parcela de culpa neste processo e ficar se lamuriando publicamente, Rodrigo Maia se apequena e corre o risco de perder ainda mais espaço no cenário atual. Em vez de se pronunciar sobre suas derrotas, deveria se manifestar sobre seus planos e controlar a narrativa, apresentando o que espera do futuro. Preferiu mostrar queixumes e mágoa. Optou por desabafar quando poderia mostrar que virou a página e está acima da perfídia e da intriga.

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