Falhas no cruzamento de dados permitiram que pessoas com patrimônio declarado acima de R$ 1 milhão se tornassem beneficiárias do auxílio emergencial do governo, que é pago pela Caixa Econômica Federal (CEF). Entre estes, estão candidato a cargos políticos. A revelação é do jornal O Globo, nesta segunda-feira (29).
As informações forma obtidas a partir do cruzamento da base de dados do Ministério da Cidadania e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Foram encontradas 136 candidatos – eleitos ou não. De acordo com o jornal, ali estão “postulantes a cargos de prefeito, vice-prefeito, vereador e deputado estadual e federal”.
Segundo a Dataprev, sistema de dados da Previdência, não houve “previsão legal para verificação do patrimônio dos requerentes”, o que abriu as portas para erros e fraudes, já que também foram identificadas pessoas que estão cadastradas, mas não receberam um centavo.
Entre os beneficiários indevidos está o empresário Paulo Roberto Limeira dos Santos, que foi candidato a prefeito de Piripiri, no Piauí . Ele declarou ter sociedade em quatro empresas de construção, mineração e energia, cujo valor declarado é de R$ 38 milhões. Além desses bens, disse possuir um carro estimado em R$ 33,3 mil. Santos aparece como recebedor de duas parcelas do auxílio emergencial. Ela diz que está sem recursos para se manter, pois suas empresas não prosperaram.
Engenheiro e ex-prefeito de Vila Boa (GO), entre 2013 e 2016, pelo PSD, Hélio Raimundo declarou ao TSE, em 2016, mais de R$ 5 milhões em bens, distribuídos em uma casa, um loteamento, uma fazenda de mais de mil hectares, quatro lotes e um veículo. Em 27 de abril, Raimundo entrou com a documentação para receber o auxílio de R$ 600. Foi aprovado pela Caixa em 15 de maio.
O ex-prefeito disse estar desempregado e que vendeu o patrimônio para pagar dívidas de campanha em 2012 e 2016, além de enfrentar um bloqueio judicial referente ao período em que foi prefeito. Quando prefeito, Raimundo foi denunciado por uso irregular de veículos da prefeitura.
Gil Diniz Neto, candidato a vice-prefeito de Contagem (MG), pelo DEM, com patrimônio declarado de R$ 7,6 milhões, afirmou não saber que estava na lista dos beneficiados.
Em nota, o Ministério da Cidadania informou que vai averiguar as “inconsistências” por meio de parcerias com a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Tribunal de Contas da União (TCU).
