Sem dourar a pílula, a decisão do ministro Edson Fachin, do STF, de anular as condenações do ex-presidente Lula é um duro golpe na já cambaleante força-tarefa da Operação Lava-Jato no Paraná. Fachin acatou os argumentos da defesa do petista e considerou a Justiça Federal do Paraná como incompetente para avaliar os casos do tríplex do Guarujá, do sítio de Atibaia e do Instituto Lula. Os processos judiciais retomam praticamente à estaca zero e agora passarão a correr na Justiça Federal do Distrito Federal.
Avaliando a questão por um outro viés, a decisão de Fachin pode extinguir o debate na Corte sobre a suspeição de Moro nos casos relacionados a Lula. O julgamento estava prestes a ser colocado em pauta na Segunda Turma pelo ministro Gilmar Mendes. Tudo indica – ou indicava – que Mendes, embasado com as mensagens apreendidas na Operação Spoofing, tem preparado um arsenal para atacar a conduta do ex-juiz. Ou seja, Fachin pode ter livrado Moro de um constrangimento público.
Lula volta a ser elegível, mas pode ser novamente condenado e cair na Lei da Ficha Suja até o primeiro semestre de 2022 – saindo da corrida presidencial. Sem um julgamento amplo se foi parcial ou não no tratamento ao petista, a atuação de Moro é jogada para a torcida: ele agiu corretamente ou não? Com a bandeira da defesa do legado da Lava-Jato, talvez seja mais um fator para ele ser convencido a entrar na briga pelo Palácio do Planalto.
Talvez isso explique a mensagem publicada no Twitter pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). “Minha maior dúvida é se a decisão monocrática foi para absolver Lula ou Moro. Lula pode até merecer. Moro, jamais!”
Minha maior dúvida é se a decisão monocrática foi para absolver Lula ou Moro. Lula pode até merecer. Moro, jamais!
— Arthur Lira (@ArthurLira_) March 8, 2021
