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Os detalhes da fuga de Flávio Bolsonaro aos EUA revelados ao NYT

Rodrigo Dias
5 de novembro de 2026
Em primeira entrevista após deixar o Brasil, senador diz que organizou a viagem por conta própria, contesta resultado eleitoral, critica o STF e não descarta nova candidatura à Presidência

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou sua versão sobre a saída do Brasil em entrevista ao jornal americano The New York Times, publicada nesta quinta-feira (5). Derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno presidencial, o parlamentar afirmou que decidiu deixar o país espontaneamente, ao lado da mulher, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas, por receio de ser preso.

Flávio também negou ter recebido ajuda dos governos de Donald Trump, nos Estados Unidos, ou Javier Milei, na Argentina. Sobre os detalhes da operação, resumiu: “Como eu cheguei aqui, levarei para o túmulo comigo”.

Segundo o relato de Flávio, a decisão foi tomada na manhã de 27 de outubro, depois de uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Na ocasião, Jair teria alertado o filho sobre as possíveis consequências de uma determinação da Polícia Federal (PF) para a entrega de seus passaportes.

O senador disse que conversou sobre a viagem apenas com a esposa, sem participação do irmão Eduardo Bolsonaro ou de outros aliados. A família deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina, embarcou em Puerto Iguazú e seguiu para Miami, com escala no Equador. A reportagem do NYT, entretanto, menciona que o avião particular teria sido providenciado por um funcionário da Casa Branca, informação que contrasta com a versão de Flávio de que não recebeu auxílio de nenhum governo.

Outro eixo central da entrevista foi o questionamento do resultado eleitoral. Flávio voltou a classificar como “matematicamente impossível” a vitória de Lula e levantou suspeitas de fraude, sem apresentar provas. Também criticou os gastos do governo durante a campanha e a mobilização nas redes sociais que impulsionou o adversário no segundo turno.

O NYT contrapôs as alegações às avaliações de especialistas internacionais sobre a segurança das urnas eletrônicas brasileiras. O senador afirmou que pretende contestar judicialmente o resultado, embora reconheça que as chances de sucesso são pequenas.

Flávio também voltou a atacar o Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente o ministro Alexandre de Moraes, a quem atribui motivações políticas. O parlamentar é investigado em inquéritos relacionados a suspeitas de irregularidades no financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, e a possíveis crimes envolvendo sua relação com o advogado Willer Tomaz.

Apesar de estar nos Estados Unidos, afirmou que pretende continuar articulando pautas com aliados no Brasil, incluindo a redução da maioridade penal e mudanças na dosimetria das penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Sobre seu futuro político, não descartou voltar a disputar a Presidência: “Se houver novas eleições, obviamente serei candidato novamente”.

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