Dois grandes jornais — O Globo e O Estado de S. Paulo — trazem hoje (16) reportagens que discutem o papel dos militares no governo Jair Bolsonaro. A matéria do Estadão mostra que o presidente se incomoda com o destaque obtido por seus ministros militares na imprensa. Enquanto os generais são apontados como exemplos de competência (e até tutores do mandatário), os civis que compõem o ministério e têm discurso ideológico são atacados pelos jornalistas.
O presidente, também segundo a publicação, vem recorrendo a nomes oriundos da caserna para ocupar cargos importantes no governo não apenas para prestigiar os militares, mas também porque possui dificuldades em encontrar civis para essas mesmas posições.
Esse seria o caso do Ministério da Saúde, que está sob a tutela interina do general Eduardo Pazuello. O Globo, em chamada de capa, afirma que os militares desaconselharam Bolsonaro a efetivar Pazuello no cargo. Um general teria dito que “botar um militar para ser o número um da Saúde é levar para o colo das Forças Armadas o problema da Covid-19”. Esses mesmos interlocutores também desaconselham a escolha de Osmar Terra para o cargo, cogitada pelo Planalto.
Nos dois casos, embora relativos a assuntos completamente diferentes, há indícios de que existem discordâncias entre os núcleos familiares e militares do governo. Isso seria normal dentro de qualquer administração. Mas as Forças Armadas, citadas pelo presidente como um exemplo de preparo e reserva moral, têm um papel preponderante na atual gestão — especialmente quando comparada às que tivemos desde José Sarney.
Disciplinados e respeitosos à hierarquia, os militares colaboram com a presidência para combater as dificuldades políticas e administrativas. Um exemplo dessa abnegação é o ministro Walter Braga Netto (foto). Há, no entanto, um ponto de discórdia: a impetuosidade de Bolsonaro. Os generais são extremamente cerebrais e estratégicos. Já o presidente prefere o calor do momento para agir. Aqui pode estar um potencial conflito que precisa ser ponderado com bastante calma pelo ocupante do Alvorada.
