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O futuro do conservadorismo nos EUA

O futuro do conservadorismo nos EUA

Nos últimos quatro anos, o conservadorismo americano se fundiu com a imagem de Donald Trump. Com a derrota do presidente, no entanto, o que ocorrerá com essa parcela do eleitorado americano? Muitos analistas afirmam que o trumpismo não morreu com o revés nas urnas. E, de fato, o futuro ex-presidente parece ainda ter uma imensa popularidade. Mas a pergunta que não quer calar é: trumpismo e conservadorismo são a mesma coisa?

Pode-se dizer que todos os trumpistas são conservadores, mas nem todos conservadores são trumpistas. Isso pode ser observado pela discrepância entre votos para a presidência e aqueles destinados à Câmara. O controle da casa ainda é da agremiação azul – mas os republicanos ganharam 5 cadeiras, tomando quatro dos vermelhos. Ou seja, por mais incrível que pareça, há eleitores que votaram em parlamentares republicanos e chancelaram Joe Biden nas cabines de votação.

Entre essas pessoas, há um caso bastante conhecido – o de Cindy MCain, viúva do senador republicano John McCain, candidato à presidência em 2008. Como se sabe, McCain foi capturado durante a Guerra do Vietnã e torturado durante cinco anos. Mas Trump disse que o falecido senador era um “loser” (perdedor) e não era um herói de guerra. Depois, o presidente afirmou que jamais tinha dito essas palavras sobre McCain (dúvidas podem ser tiradas neste vídeo, após a marca de 1:40: https://www.youtube.com/watch?v=rZOvHUyiaFw ).

Como Trump reagiu à atitude da família McCain? Atacando a memória do senador. “Joe Biden era o lacaio de John McCain”, escreveu ele em sua conta no Twitter. “Nunca fui fã de John. Cindy pode ficar com Sleepy Joe”. Uma reação típica do presidente, que prefere brigar primeiro e perguntar depois. Ocorre que John McCain é um nome querido em seu estado de origem, o Arizona, que entregou 11 delegados a Biden.

A viúva McCain representa um grupo de indivíduos que pode ter colaborado definitivamente para a vitória de Biden – aqueles que simplesmente deixaram de apoiar o nome de Trump. Mas, entre os conservadores, ainda estão aqueles que dão apoio crítico ao presidente e os que estão cem por cento ao seu lado.

Estamos no meio de uma pandemia e de uma recessão mundial. Nessas situações, até o mais empedernido dos liberais fica tentado em apoiar a injeção de dinheiro público na economia. Por isso, muitos conservadores americanos que querem um Estado menor e menos impostos acabaram votando nos democratas (esse tipo de conservador, no Brasil, é chamado de liberal), fechando os olhos para o histórico dos azuis em elevar tributos e estourar as contas públicas.  

Com a saída de Trump do cenário político (pelo menos no curto prazo), a tendência é que esses eleitores voltem ao ninho republicano e passem a ser vozes conservadoras nos debates nacionais sobre economia, costumes e minorias.

A derrota de Trump também deixou claro como os republicanos precisam de talentos que consigam produzir narrativas condizentes com o mundo atual, no qual as pessoas desejam mais empatia e maior acolhimento. Talvez daqui a quatro anos, as necessidades sejam outras. Mas a carência de artistas que consigam entregar uma campanha que arrebate corações e mentes continuará. Os republicanos, há muito tempo, não conseguem conquistar nomes que possam colaborar com recursos e uma imagem positiva. Vamos listar, assim, algumas das celebridades que apoiaram Biden: Jennifer Aniston, Tom Hanks, Leonardo DiCaprio e Cardi B; e Trump? Seus apoiadores foram: Kirstie Allen, Isaiah Washington, Jon Voight e Kid Rock. Quem estava melhor de garotos-propaganda, Biden ou Trump?

A economia, em breve, vai voltar à pauta dos americanos, especialmente se Biden não conseguir trazer rapidamente resultados positivos aos cidadãos americanos. Disso dependerá a popularidade inicial do novo governo e suas chances de reeleição.

Percebe-se que muitos dos apoiadores do conservadorismo devem continuar em sua trilha de intolerância. Ontem, por exemplo, recebi alguns ataques pela rede social por conta de meu artigo publicado na segunda-feira, cujo título era “Trump perdeu para ele mesmo; depois, foi derrotado por Biden”. Neste texto, fazia minhas críticas ao presidente, mas também dizia que Joe Biden tinha páginas coladas em sua biografia e que a estratégia do Partido Democrata em turbinar a economia artificialmente poderia ser perigosa. Apesar disso, fui acusado de ter sido parcial em minha análise.

Se alguns desses leitores estiverem lendo essas linhas, eu pergunto: existe imparcialidade em um texto jornalístico de opinião? Respondo por vocês: não existe. No entanto, muitos de nós, jornalistas, procuram a ponderação. Outros não. Fazer o quê? O fato é que existe, muitas vezes, uma confusão na apreciação dos textos apreciados. Se a opinião é oposta à dos leitores, o autor do texto está usando de parcialidade. Se, ao contrário, as linhas mestras do artigo casarem com o pensamento do leitor, o autor do texto receberá elogios. Como se vê, muitas vezes, a parcialidade pode estar apenas do lado de quem lê – e não do daquele que escreve.

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