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O fim dos pequenos imperadores chineses beneficiará carne brasileira

O partido comunista chinês adota uma nova política de controle populacional, ampliando o tamanho das famílias. Depois que caiu a política do filho único, chamados pejorativamente de pequenos imperadores, já que eram mimados pelos pais, Pequim ampliou está possibilidade para até 3 rebentos. A decisão estava em discussão desde maio de 2020 e foi formalizada nesta sexta feira (20). O governo afirma que, graças ao rígido controle de natalidade adotado desde os anos 1970, cerca de 400 milhões de nascimentos foram evitados, reduzindo os impactos demográficos em um país que se modernizava e até evitando a fome em algumas regiões. Entre 2016 e 2020 houve queda de 18 milhões para 12 milhões de partos anuais. E o que isso representa para o Brasil?

 “Se você quer prosperar, você deve controlar a população”. Propaganda dos anos 80 do governo chinês em defesa da política do filho único

No longo prazo, o país mais populoso do mundo, com 1,4 bilhão de habitantes, seguirá como o maior consumidor global de grãos e de proteína animal. Ao Brasil, resta manter a competitividade e desfazer a relação azeda com o seu maior parceiro comercial. Ainda que o mercado jamais seja garantido, seria difícil à China abastecer sua população reequeilibrando a taxa de natalidade sem as commodities do Cerrado brasileiro.

Mas é preciso atenção do lado de cá. Como famílias chinesas maiores consumirão mais, o país busca diversificação para não correr riscos de abastecimento. O Brasil já se beneficiou disso entre 2018 e 2020, quando do ápice da guerra comercial com o Estados Unidos.

Desta vez, há outro complicante. Com o risco da peste suína africana (PSA), que levou ao sacrifício mais de 260 milhões de animais nos últimos 3 anos, a China tem comprado mais proteína de outros países fora do escopo tradicional, como África do Sul. Em agosto, houve corte temporário nas exportações por causa da PSA. Já entre os 25 países fornecedores de carne bovina, o Brasil é o líder. Em 2018, os brasileiros forneciam 31% desta proteína que os chineses importavam. No primeiro semestre de 2021, a participação chegou a 38%.

De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), de janeiro a julho de 2021, os embarques para a China já somam 490 mil toneladas e as receitas, US$ 2,493 bilhões, um aumento de 8,6% e 13,8%, respectivamente, no comparativo com o mesmo período de 2020. As compras de carne brasileira representam 25% do consumo interno chinês. O holandês Rabobank estima que esse patamar deva se estabilizar em 30% em 2025, atingindo de 2,5 milhões a 2,7 milhões de toneladas. Se os representantes do agro se mantiverem atentos, o Brasil pode atingir facilmente 900 mil toneladas, crescendo em volume junto com a chegada de novos chineses.

Por que é importante

Mostra uma China aberta para mudanças para não perder seu poder econômico

Quem ganha

O agronegócio que exportará mais para a China; as famílias chinesas que poderão ter mais liberdade de se planejar

Quem perde

O partido comunista chinês, que precisa rever sua política considerada um sucesso do ponto de vista econômico. Mas duramente criticada pelo critério das liberdades individuais e direitos humanos

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