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O Brasil de hoje tem mesmo semelhanças com a Alemanha nazista?

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Celso de Mello (foto), em conversa reservada por WhatsApp, teria comparado o cenário atual do Brasil com o da Alemanha nazista. Ele, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, escreveu a seguinte mensagem em um grupo de usuários do aplicativo: “Guardadas as devidas proporções, o ‘ovo da serpente’, à semelhança do que ocorreu na República de Weimar (1919-1933) , parece estar prestes a eclodir no Brasil. É preciso resistir à destruição da ordem democrática, para evitar o que ocorreu na República de Weimar quando Hitler, após eleito por voto popular e posteriormente nomeado pelo presidente Paul von Hindenburg, em 30/01/1933, como chanceler (primeiro ministro) da Alemanha), não hesitou em romper e em nulificar a progressista, democrática e inovadora Constituição de Weimar, impondo ao país um sistema totalitário de poder viabilizado pela edição, em março de 1933 , da lei (nazista) de concessão de plenos poderes (ou lei habilitante) que lhe permitiu legislar sem a intervenção do Parlamento germânico!”.

Faz sentido essa comparação?

Existe, sem dúvida alguma, um grande sentimento de rancor e de ressentimento político em certas camadas da população. Clamando por intervenções não democráticas e atacando instituições, essas pessoas guardam semelhanças com grupelhos que faziam muito barulho na Alemanha dos anos 1930.

Mas, ao mesmo tempo, é preciso entender a ascensão nazista do ponto de vista econômico – e, aí, este paralelo deixa de fazer sentido.

No acordo que selou o final da Primeira Guerra Mundial, os aliados espremeram economicamente a Alemanha e criaram condições de rendição que levaram o país à bancarrota. Minas de carvão e estradas de ferro foram confiscadas e a indústria germânica foi colocada em xeque. Além disso, compensações financeiras drenaram o Tesouro alemão, levando ao caos financeiro. Durante a República de Weimar, a hiperinflação tomou conta do país. Um par de sapatos, por exemplo, custava 12 marcos em 1913. Em 1924, no entanto, o mesmo produto mudava de mãos por 32 trilhões de marcos. Um copo de cerveja, nesta toada, era vendido nos bares por 1 bilhão de marcos.

Curiosamente, John Maynard Keynes (o economista que hoje é ligado ao intervencionismo estatal na economia) foi uma das poucas vozes que apontaram o exagero na retaliação dos aliados à Alemanha. Em seu livro “As Consequências Econômicas da Paz”, Keynes mostra que a nação germânica seria quebrada e a tragédia econômica iria gerar uma revolta popular. Desta revolta, alertava o economista, poderia vir uma revanche à derrota de 1918.

Foi exatamente o que aconteceu.

É um equívoco achar que uma minoria ascendeu ao poder na Alemanha nazista. Por conta da fome e da desorganização econômica, a maioria dos alemães viram no Nazismo uma forma de recuperar o controle financeiro do próprio país e acabar com a fome e a inflação. Depois vieram os horrores do regime e a cruel brutalidade que foi estabelecida por Adolf Hitler – mas, neste momento, um governo militarista e ditatorial já havia se instalado e não poderia ser removido pelo voto democrático.

Política e economia andam juntas. Se o acordo de 1918 tivesse sido mais complacente com os derrotados, como queria Keynes, a República de Weimar poderia ter dado certo – e o mundo dificilmente veria a elevação de Hitler e a eclosão da Segunda Guerra Mundial. Apesar da pandemia e da recessão que enfrentaremos, o cenário econômico nacional em nada se assemelha ao panorama teutônico da década de 1920.

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