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Números mostram que a covid voltou com força total na Europa

A Europa registra uma perigosa e vertiginosa escalada nos casos de covid-19. Na semana passada foi estabelecido um novo recorde de infecções – 927 mil casos -, divulgou nesta quarta-feira (21) a seção europeia da Organização Mundial da Saúde (OMS). Foi notificado um aumento de 25%, acumulando 38% dos novos casos em todo o mundo. As autoridades sanitárias avaliam os graus de retomada das medidas de distanciamento e isolamento social (ver lista).

Cada país apresenta uma evolução distinta, mas as consequências são as mesmas. Quase 500 mil casos se concentraram na Rússia, República Tcheca e Itália, mais da metade dos novos registros no continente. A Rússia teve 191 mil casos em duas semanas e há temor que a situação se agrave com a chegada do inverno. As autoridades de Moscou contabilizam 1,4 milhão de infectados (4º lugar), ainda que haja uma quantidade relativamente baixa de óbitos (24 mil, em 13º lugar).  

A situação da República Tcheca é alarmante, com 103,9 mil registros nas duas últimas semanas. Até 7 de outubro o país apresentava 90 mil casos desde fevereiro. Agora com 193 mil casos, só na segunda-feira (19) a taxa de crescimento da doença entre os tchecos foi de assustadores 6,17%, com 11.984 casos – ainda que aí incluídos os registros do final de semana.

A Itália não fica muito atrás. O país, que esteve no epicentro da pandemia na Europa até controlar a disseminação da doença com um rigoroso isolamento, apresentou 10,8 mil casos em um único dia, perfazendo 2,5% dos afetados.

A Suécia, que de início chegou a ser considerada um exemplo mundial, vive um novo surto. Em duas semanas foram registrados 10 mil casos, uma alta de quase 10% no total de contaminados (106 mil, com 5,9 mil mortes). Só no último final de semana foram 3 mil novos casos. Em 24 de junho, no pior dia antes desta segunda onda, foram registrados 1.698 casos. Na Polônia, o Ministério da Saúde anunciou mais 10,4 mil casos de segunda para terça-feira (20). Desde o início da pandemia há 202,5 mil casos. O Estádio Nacional de Varsóvia vai abrigar um hospital de campanha com 500 leitos.

Com pouco mais de dois milhões de habitantes, a pequena Eslovênia foi o primeiro país europeu a acabar com isolamento e abrir suas fronteiras, em 14 de maio. Os novos casos aumentaram 150% em relação à semana anterior, atingindo 4.890. Antes, somavam menos de 10 mil.

Como os países estão reagindo

  • Bélgica – Com uma média de quase 7,9 mil novas infecções registradas diariamente entre 9 e 15 de outubro, nesta segunda-feira (19) o país possuía 2,5 mil pacientes de covid-19 em hospitais, com mais de 400 em unidades de terapia intensiva. Há falta de insumos nos hospitais e uma forte onda de ceticismo entre a população.
  • França – Há toque de recolher noturno de um mês nas maiores cidades desde sábado (17). Todos os moradores devem ficar em casa entre as 21h e 6h.
  • Espanha – Madri está um estado de emergência por 15 dias. As pessoas estão impedidas de entrar ou sair da capital por motivos não-essenciais. É o primeiro país da UE a superar a marca de 1 milhão de infectados, seguido de perto pela França. São 162 mil casos em duas semanas.
  • Portugal – Foi decretado o estado de calamidade pública em 15 de outubro. Nesta quarta-feira (21) ocorreram mais 2.535 casos, a segunda marca mais elevada desde o começo da pandemia no país. O governo afirma que a situação é preocupante, mas por enquanto não há risco de falta de leitos hospitalares.
  • Itália – O uso de máscara nas ruas e nos estabelecimentos se tornou obrigatório. O governo estuda ampliar as restrições locais e regionais, de acordo com o avanço da doença.
  • Reino Unido – Com quase 27 mil casos na terça-feira (20), com uma alta de 25% de um dia para outro, o país adota lockdowns regionais. A partir deste fim de semana, 7,3 milhões de pessoas no norte de Inglaterra, ou 13% da população (não incluídos Escócia, Gales e Irlanda do Norte) estarão sob restrições: familiares não poderão se reunir, pubs e bares que não servem refeições serão fechados e os residentes não deverão viajar. Academias e parques devem ser fechados em breve. 
  • Alemanha – Aglomerações estão proibidas até o final do ano. As regiões mais críticas devem adotar o lockdown por, no mínimo, duas semanas. O país contabilizou 11.287 infecções em 24 horas nesta quinta-feira (22). Há uma semana a Alemanha registrou, pela primeira vez, mais casos (6.638) do que no auge da primeira onda da pandemia. A maioria das infecções ocorreria encontros privados, acreditam as autoridade.
  • Holanda – Bares e restaurantes foram fechados. Os serviços de entrega estão autorizados a funcionar.
  • Suécia – Após meses de contenção mínima, a partir de 19 de outubro as autoridades de saúde orientam os cidadãos a evitar academias, shows, transporte público e shopping centers. Contatos com idosos e pessoas de grupos de risco são desencorajados. Os empregadores em Estocolmo e arredores devem permitir o trabalho remoto.
  • Irlanda – Foi anunciado na segunda-feira (19) um lockdown de seis semanas. O país é o primeiro a reimpor a medida. Só escolas e creches permanecerão abertas. Exercícios ao ar livre serão permitidos num raio de até 5 quilômetros de casa.

Por aqui ainda morre mais gente
Apesar da clara desaceleração no ritmo de contágio, a pandemia fez mais vítimas fatais no Brasil, o terceiro na soma global de doentes (5,27 milhões) e o segundo em mortes (153 mil). Já a União Europeia (UE) possui 151 mil vítimas fatais. De acordo com o Centro Europeu de Controle e Prevenção de Doenças (ECDC), o Brasil registrou 10,7 mil mortes de 1º de outubro a 17 de outubro. Na UE, o total de mortos no período somou 9,1 mil. Mesmo se incluído o Reino Unido, que saiu do bloco, o total de vítimas fatais ainda fica abaixo do Brasil no período, com 10,6 mil registros.

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