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Novo ministro indica uma terceira via para lidar com a covid e com Bolsonaro

Desconhecido do grande público, mas com trânsito e credibilidade entre profissionais médicos e grandes empresários do setor da saúde privada, o novo ministro da Saúde, Nelson Teich, em seu primeiro pronunciamento público, indicou que seguirá uma abordagem diferente daquelas preconizadas por seu antecessor, Luiz Henrique Mandetta, e pelo presidente Jair Bolsonaro.

Oncologista, Teich afirmou que vai investir na testagem em massa da população, como forma de auferir quando e onde será possível adotar o isolamento vertical defendido por Bolsonaro. Essa modalidade de limitação à exposição ao vírus atingiria a parcela da população acima dos 60 anos e quem sofre de males crônicos, como cardiopatias, diabetes, hipertensões, doenças autoimunes ou estaria em tratamento contra câncer, só para citar alguns.

Se trataria de uma alternativa diplomática que condicionaria a reativação da economia, enquanto permitiria aos profissionais da saúde seguirem as indicações de isolamento recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Ou seja, seria uma forma de todo mundo ganhar tempo. Afinal, Teich não explicou como o país conseguirá produzir e importar os kits de testes necessários em quantidade suficiente para avaliar seguidas vezes uma população de mais de 200 milhões de pessoas. É uma meta gigantesca, mas que teria que ser executada de alguma forma durante o curso da pandemia. Quem viu seu discurso com ceticismo não pode ser considerado pessimista.

Teich falou vagamente na aplicação de metodologias. Mais do que uma mudança de estratégia, é provável que a relação do novo ministro com o presidente se disfarce de natureza tecnocrática. Afinal, o antecessor Mandetta é um político de carreira, enquanto o oncologista não apresentaria o risco de se tornar mais prestigiado eleitoralmente que o chefe do Executivo.

Todavia, é dado como certo que Bolsonaro deve conseguir relaxar a quarentena em algum local no futuro próximo. O aspecto mais delicado desse caminho é que qualquer fracasso maior a partir de agora recairia sobre os ombros do presidente muito mais do que sobre seu novo ministro.

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