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No mundo digital, a comunicação dos governos ficou obsoleta

Quando observamos o organograma da Secretaria de Comunicação do governo federal, há cinco estruturas abaixo do titular da pasta. Em uma delas, a secretaria de comunicação institucional, é possível ver um escaninho batizado de “departamento de canais digitais”. Abaixo deste quadradinho, há uma área chamada “coordenação-geral de conteúdo e gestão de canais”. Teoricamente, seria ocupada pelo encarregado de monitorar as mídias sociais, postar as mensagens tidas como importantes pela administração e interagir com o público.

Se contabilizarmos o ministro das Comunicações, Fabio Faria, que é o chefe imediato do titular da Secom, temos cinco níveis hierárquicos entre o presidente da República e aquele que trabalha debruçado sobre o meio de comunicação que mais rapidamente consegue divulgar mensagens (falsas ou verdadeiras).

Os algoritmos de hoje podem mostrar instantaneamente a reação de redes como Twitter, Instagram e Facebook a determinados fatos ou declarações. Trata-se da medição do pulso da sociedade, que podem fornecer insights importantes para a definição de estratégias políticas.

Como ocorre nos Estados Unidos? Há um time comandado por onze pessoas, cujo líder responde diretamente para o presidente Joe Biden e para a vice-presidente Kamala Harris. E toda essa equipe fica baseada na Casa Branca.

Aqui no Brasil, temos um paradoxo: o presidente é totalmente ligado nas redes sociais e lidera fãs digitais, uma base que age em uníssono e é totalmente engajada na defesa do governo e no achincalhe dos adversários. No entanto, a estrutura estatal para analisar o comportamento do fenômeno web ainda é tímida.

Este atraso não se verifica apenas em Brasília. Governos estaduais e prefeituras ainda engatinham na análise de dados e metapalavras no universo digital. As máquinas públicas se movimentam lentamente para entender os cidadãos – mesmo tendo à disposição um farto material diário para analisar e extrair conclusões importantes.

Compreender a opinião pública é a necessidade número um de todos os políticos – mas é algo crucial para quem toca o poder público. Através da análise preditiva de dados, pode-se entender melhor o que desejam os habitantes de um estado. Os sistemas de e-commerce usam o mesmo sistema para oferecer novos produtos (na base do “quem comprou isso também adquiriu aquilo”). Essa mesma inteligência pode ser utilizada para entender melhor o que os eleitores querem das autoridades – uma informação importantíssima para estabelecer prioridades de gestão que vão criar maior ou menor impacto junto à população.

Qualquer pesquisa analógica ou qualquer análise de dados precisa de pessoas talentosas para fazer a leitura de seus números. Aqui é que se separa o joio do trigo. Se faltar talento nessa interpretação, decisões erradas poderão ser tomadas.

Imagine agora se um determinado governo levar a sério a compilação e análise de dados de toda a população. Poderá mergulhar na mente de seus críticos, criando soluções para se aproximar dos opositores. Entender como melhor pode reforçar o apoio que recebe de seus seguidores. E compreender o que torna um eleitor neutro.

Esses dados podem estender bastante a vida útil de um determinado grupo na política. Isso pode ocorrer para o lado ruim ou para o lado bom. É como uma pistola de fogo: pode defender alguém em um momento de perigo. Ou pode ameaçar algum inocente em outro tipo de situação. O fato é que as autoridades ainda não despertaram para o real potencial dos dados que estão à disposição das redes sociais. Este será o epicentro de todas as batalhas políticas daqui para frente, começando pela que se abrirá em 2022.

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