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Ex-ministro afirma que “combate à corrupção não é prioridade do governo”

Da redação
1 de maio de 2020

Em entrevista à revista Veja, o ex-ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) reforçou as acusações de que o presidente Jair Bolsonaro buscou interferir no trabalho da Polícia Federal. Moro também prometeu entregar as provas para confirmar os fatos apontados no discurso que fez para anunciar sua demissão. “Reitero tudo o que disse no meu pronunciamento. Esclarecimentos adicionais farei apenas quando for instado pela Justiça. As provas serão apresentadas no momento oportuno, quando a Justiça solicitar”, declarou. “Não posso admitir que o presidente me chame de mentiroso”, acrescentou. O juiz da Lava-Jato contou que aceitou deixar a carreira na magistratura e virar ministro diante do compromisso assumido por Bolsonaro com o combate à corrupção. Moro, no entanto, reclamou que a pauta deixou de ser prioridade do governo. “(Os sinais) foram surgindo no decorrer da gestão. Começou com a transferência do Coaf para o Ministério da Economia. O governo não se movimentou para impedir a mudança. Depois, veio o projeto anticrime. O Ministério da Justiça trabalhou muito para que essa lei fosse aprovada, mas ela sofreu algumas modificações no Congresso que impactavam a capacidade das instituições de enfrentar a corrupção. Recordo que praticamente implorei ao presidente que vetasse a figura do juiz de garantias, mas não fui atendido”, lembrou. “É bom ressaltar que o Executivo nunca negociou cargos em troca de apoio, porém mais recentemente observei uma aproximação do governo com alguns políticos com histórico não tão positivo. E, por último, teve esse episódio da demissão do diretor da Polícia Federal sem o meu conhecimento. Foi a gota d’água”, afirmou.

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