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Mercado financeiro não compra a versão “Haddadinho paz e amor”

Um eventual governo de Fernando Haddad seria parecido ao primeiro mandato de Lula, marcado por reformas microeconômicas que impulsionaram o crédito e aumentaram a produtividade – ao mesmo tempo em que o governo gerava superávits primários? Ou seria mais parecido com os anos de Dilma Rousseff, notabilizados por controle de preços, pela tentativa de baixar na marra a taxa de juros, ao mesmo tempo em que concedia subsídios generosos e ineficazes para setores da indústria, que resultaram em alta da inflação e disparada da dívida pública?

MONEY REPORT entrevistou seis analistas do mercado financeiro para saber o que eles esperam de Haddad na presidência. Recentemente, o petista tem flertado com o mercado. Tentou se afastar de Marcio Pochmann, economista do PT que se notabiliza por desdenhar do déficit público e a necessidade da reforma da previdência. Mas, quando fala com os eleitores, não abre mão do discurso populista. Afinal, qual o verdadeiro Haddad? Confira a opinião dos analistas ouvidos pela reportagem:

Rafael Passos, analista da Guide Investimentos

As propostas de Haddad se assemelham ao que Dilma fez no seu governo, com incentivo ao gasto público desenfreado. O fato de o PT não defender reformas importantes para o país, como a da previdência, a tributária e a trabalhista, já aprovada pelo governo Temer, deixa a esquerda em xeque. O período Dilma quebrou o tripé macroeconômico implementado no período FHC, que só foi restabelecido recentemente. Hoje, existe uma boa distância entre o candidato e o mercado.

Roberto Indech, analista-chefe da Rico Investimentos

Pelas declarações do próprio Haddad e de seus assessores econômicos, o viés de seu governo seria muito mais populista. Até esse momento, não vejo uma aproximação dele com o mercado. Acho exagero defini-lo como uma nova Dilma, mas seria um mandato de viés mais populista. O que foi feito pela Dilma foi realmente desastroso. O Marcio Pochmann (coordenador econômico do plano de governo do PT), que está inserido em uma estrutura de partido muito mais populista, passa a ideia de que as reformas não seriam tão interessantes para o país, diferente do que se espera dos candidatos.

Raphael Figueredo, analista da Eleven Financial

Considero que a ala mais radical do PT ganhou força após o impeachment da Dilma. Por conta disso, não acho que o Haddad se aproximaria do mercado, que tampouco se aproximaria dele. O grau de instabilidade que um governo do PT poderia gerar no país é muito grande. Só a especulação de que o Haddad daria um indulto ao Lula provocaria uma agitação muito grande.

Ari Santos, gerente da mesa de operações da H. Commcor

Haddad deu a entender em entrevistas que vai retomar alguns princípios do governo Dilma. Ele não admite que o PT tem parcela de culpa na crise recente, nem projeta algo muito diferente do que foi feito. A candidatura prega uma volta ao passado, tendo como base o que foram os anos Lula, mas o contexto era outro: Lula pegou um cenário externo favorável, com a China crescendo muito e importando do Brasil. A situação é pior hoje, está muito mais difícil conseguir financiamento vindo de fora.

Glauco Legat, analista-chefe da Spinelli

Haddad tem um plano de governo que prevê mais intervenção na economia e medidas mais populistas. Como candidato, ele não é o que o mercado espera para gerir a economia. Mas o discurso pode mudar após a posse, se for eleito.

Sidnei Moura Nehme, economista e diretor-executivo da NGO

É difícil o Haddad compor com o mercado. A impressão é que ele seria monitorado pelo Lula, e esse vínculo entre os dois dá indícios que ele seria uma continuação do governo Dilma, que não fez um bom governo. Tendo em vista o que foram os últimos anos, acho que um novo governo do PT seria muito revanchista.

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