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Mensagens apontam que Deltan buscou informações contra Toffoli

Reportagem do jornal Folha de S. Paulo, em parceria com o site The Intercept, mostra que o procurador Deltan Dallagnol incentivou colegas a investigar sigilosamente o ministro Dias Toffoli, do STF. Mensagens enviadas pelo coordernador da força-tarefa Operação Lava-Jato no Paraná apontam que ele buscava informações sobre as finanças pessoais do atual presidente da Corte e do escritório de advocacia de sua mulher, além de indícios que pudedessem os ligar com as empreiteiras investigadas por corrupção na Petrobras.

“Caros, a OAS touxe a questão do apto do Toffoli?”, questionou Deltan sobre a informação de que a empreiteira teria feito a reforma de um imóvel de Toffoli. O diálogo foi registrado em julho de 2016, quando os procuradores negociavam com a empresa um acordo de delação premiada. “Temos que ver como abordar esse assunto. Com cautela”, respondeu o promotor Sérgio Bruno Cabral Fernandes, de Brasília.

Duas semanas depois, o procurador entrou em contato com Eduardo Pelella, chefe do gabinete do então procurador-geral Rodrigo Janot, para compartilhar a informação de que o ministro do STF seria sócio de um primo em um resort. Deltan mantinha interesse no caso do imóvel de Toffoli. “Pelella, queria refletir em dados de inteligência para eventualmente alimentar Vcs. Sei que o competente é o PGR rs, mas talvez possa contribuir com Vcs com alguma informação, acessando umas fontes. Vc conseguiria por favor descobrir o endereço do apto do Toffoli que foi reformado?”

O caso da reforma foi publicado pela revista Veja em agosto. A reportagem causou mal-estar entre o STF e a Procuradoria-Geral da República e provocou a suspensão das negociações com a OAS. Os procuradores da Lava-Jato comentaram o assunto. “Qdo chega no judiciário, eles se fecham”, disse Deltan. “Só devemos agir em relação ao STF com provas robustas. O que está em jogo aqui é o próprio instituto da colaboração. Quanto a OAS e ao toffoli, as coisas vão crescer e talvez daí surjam provas”, completou Carlos Fernando dos Santos Lima.

Em um outro diálogo, o procurador Orlando Martello sugeriu que os colegas pedissem à Secretaria de Pesquisa e Análise (SPEA) da Procuradoria-Geral da República um levantamento sobre pagamentos da OAS ao escritório da mulher de Toffoli. “A respeito do Toffoli, peçam pesquisa para a Spea de pagamentos da OAS para o escritório da esposa do rapaz q terão mais alguns assuntos para a veja. Não é nada relevante, mas acho q da uns 500 mil”, escreveu. “A RF (Receita Federal) tá olhando. Mas isso eu não sabia”, respondeu Deltan.

O coordenador da Lava-Jato queria mais novidades sobre a mulher de Toffoli. “Tem uma conversa de que haveria recebimentos cruzados pelas esposas do Toffoli e Gilmar. Tem mta especulação. Temos a prova disso na nossa base? Vc teve contato com isso?”, perguntou Deltan a Martello, que respondeu que não tinha nada que confirmasse as suspeitas.

A Folha e o Intercept destacam na reportagem publicada nesta quinta-feira (1º) que os ministros do STF não podem ser investigados por procuradores da primeira instância. Segundo a Constituição, qualquer apuração contra os integrantes da Corte só pode ser feita com autorização do próprio tribunal.

Procurada, a força-tarefa da Lava-Jato disse não reconhecer a autenticidade das mensagens divulgadas.

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