Em entrevista exclusiva ao jornal O Estado de S.Paulo, neste domingo (9), o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou a forte presença de militares da reserva e da ativa em cargos no Executivo que antes eram ocupados por civis, muitos deles tecnocratas de carreira do governo. Ele também criticou a maneira com que o governo enfrenta a pandemia, mas preservou o ministro interino Eduardo Pazuello, militar da ativa. Confira algumas das principais declarações do político:
Militares
“As Forças Armadas estão no Estado. Os gestores públicos, os ministros, o presidente estão no governo. É importante que fique claro que há um muro. Não é algo contra os militares que estão no governo Bolsonaro, mas esse debate vai acontecer, no mínimo, para o próximo governo”
Pandemia
“Eu não acho que o Pazuello tenha sido a melhor escolha, mas não podemos culpá-lo também pelas 100 mil mortes. É claro que há falta de articulação com os governadores e conflitos por causa de posicionamentos equivocados.”
Auxílio emergencial
“O governo tinha uma proposta tímida para o auxílio emergencial. O Parlamento alterou e o presidente respaldou a decisão de um valor maior. O governo foi beneficiado. Nós vamos ficar brigando pela paternidade com 50 milhões, 60 milhões de famílias sem nenhuma renda?”
PT x Bolsonaro
“Se não surgir um candidato que tenha uma agenda reformista na economia e menos radical na questão dos valores, pode se repetir. A sociedade é conservadora, mas o radicalismo de um lado ou de outro vem gerando essa polarização.”
Novo imposto
“(…) é um direito legítimo de todo mundo achar que tem cara de CPMF, está tudo parecendo uma CPMF e com as isenções vai virar um adicional de imposto que a sociedade vai pagar.”
Instituições
“É bom para o Brasil que a gente continue com as instituições democráticas funcionando. Foi uma coisa que cobramos naquele período de manifestações com faixas contra o Parlamento, pedindo o AI-5.”
