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Lula-Alckmin, uma remota frente ampla

A gestão caótica e com flertes antidemocráticos de Jair Bolsonaro acelerou a corrida contra sua reeleição em 2022, fazendo dois históricos adversários abrirem diálogo para uma não impossível chapa, o ex-presidente Lula (PT) (à direita) e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (de saída do PSDB) (à esquerda). Considerada remota para alguns, o ainda tucano, não rechaça a ideia e disse que as conversas existem, conforme antecipou a coluna da jornalista Mônica Bergamo no jornal Folha de S.Paulo.

Alckmin tenta reaver sua relevância política, isso desde que deu ao PSDB o pior desempenho histórico em uma eleição presidencial em 2018, quando terminou o primeiro turno em quarto lugar (4,76% dos votos), atrás de Bolsonaro (eleito no 2º turno), Fernando Haddad (PT) e Ciro Gomes (PDT). Se naquele ano ele entrou na disputa como um dos favoritos, de lá saiu um nanico para os padrões da legenda. Já Lula reconstrói sua imagem como um centro-esquerda soft e, uma vítima de processos parciais conduzidos pelo ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sergio Moro -, este deixou a toga para se tornar político, acendendo mais dúvidas sobre sua condução como magistrado. Lula durante as eleições de 2018 esteve preso e apadrinhou Haddad para disputar as nacionais, isso gerou o slogan “Haddad é Lula e Lula é Haddad”, que lastreava o ex-prefeito de São Paulo para quem não o conhecia no Brasil profundo.

Os eleitores de ambos poderão se sentir traídos com o movimento, já que historicamente rivalizam. Segundo interlocutores do PT, essa união seria uma demonstração de defesa da democracia contra Bolsonaro. Interlocutores próximos a Alckmin descartam a chance. Porém, se a hipotética aliança resultasse em sucesso nas urnas, demonstraria que tudo é passageiro, sendo essa a verdadeira “frente ampla” sonhada pelo ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia (RJ). Também seria o retorno de “tudo que sempre esteve aí”, o sepultamento da renovação de 2018 após a tragédia da pandemia, com um eleitorado cauteloso em relação a outsiders em busca do voto confortável.

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