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Lava-Jato expôs dados sigilosos sobre a Venezuela, diz jornal

Reportagem do jornal Folha de S.Paulo, realizada em parceria com o site The Intercept, mostra que a Lava-Jato atuou para expor dados sigilosos sobre a Venezuela. Segundo a publicação, a sugestão do vazamento das informações partiu do então juiz Sergio Moro. Em 2017, diz a Folha, Moro apresentou ao procurador Deltan Dallagnol, da força-tarefa da Operação Lava-Jato, a ideia de tornar pública delação da Odebrecht acerca de pagamento de propina no país vizinho. Dois meses depois da sugestão de Moro, uma ex-procuradora venezuelana divulgou o vídeo de um delator. As informações estão nas mensagens privadas trocadas pelos procuradores na época. 

“Talvez seja o caso de tornar pública a delação dá Odebrecht sobre propinas na Venezuela”, disse Moro a Deltan, em mensagem postada no Telegram. “Isso está aqui ou na PGR?”

“Haverá críticas e um preço, mas vale pagar para expor e contribuir com os venezuelanos”, respondeu Deltan. “Não dá para tornar público simplesmente porque violaria acordo, mas dá pra enviar informação espontânea [à Venezuela] e isso torna provável que em algum lugar no caminho alguém possa tornar público”, disse. “Paralelamente, vamos avaliar se cabe acusação.”

As mensagens mostram que a Procuradoria-Geral da República e a força-tarefa de Curitiba trocaram informações com procuradores venezuelanos perseguidos pelo ditador Nicolás Maduro e vasculharam contas usadas pela Odebrecht para pagar suborno a autoridades do regime na Suíça. 

Assinado com autoridades brasileiras, dos Estados Unidos e da Suíça, o acordo fechado pela Odebrecht estabelece que as informações só podem ser compartilhadas com investigadores de outros países se eles garantirem que não tomarão medidas contra a empresa e os executivos que se tornaram delatores.

De acordo com o jornal, os diálogos indicam que o objetivo principal da iniciativa era dar uma resposta política ao endurecimento do regime do ditador Nicolás Maduro.

Moro disse não reconhecer a autenticidade dos diálogos obtidos pelo site The Intercept. Em post publicado no Twitter neste domingo (7), o ministro defendeu a articulação da Lava-Jato para expor dados sigilosos sobre as delações da Odebrecht na Venezuela. “Supostas discussões para tornar públicos crimes de suborno da Odebrecht na Venezuela, país no qual juízes e procuradores são perseguidos e não podem agir com autonomia. É sério isso?”, escreveu Moro na postagem. 

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