PATROCINADORES

João Doria quer demolir o Ginásio do Ibirapuera

Num país como o Brasil, no qual a memória nacional não é preservada, os governantes deveriam defender a existência de ícones arquitetônicos que imortalizam a história de nossas cidades. Mas o que se vê, na prática, é exatamente o oposto. O exemplo de São Paulo reflete essa tendência: por conta do progresso, o município perdeu vários prédios que, se mantidos, poderiam mostrar às novas gerações como foi bonito o centro da cidade, com forte influência da arquitetura europeia. Tudo isso sem perda do crescimento econômico, como houve em outras metrópoles do mundo.

A próxima vítima, se nada for feito, será o Ginásio do Ibirapuera, construído no bojo das comemorações do Quarto Centenário de São Paulo, e inaugurado três anos depois, em 1957. De linha arredondadas, refletindo a escola arquitetônica da época, é de autoria de Ícaro de Castro Mello, também responsável pela piscina coberta do Parque da Água Branca.

O governador João Doria mandou uma carta aberta a todas as federações esportivas paulistas requisitando o apoio à demolição do ginásio, que daria lugar a um complexo em que abrigaria um shopping center e uma rede de hotéis. São Paulo tem cerca de 1 400 estabelecimentos hoteleiros, todos com taxa de ocupação média abaixo do pico, e 54 centros comerciais.

É o caso de se perguntar: São Paulo precisa de mais um hotel ou outro shopping center?

Compartilhe

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp

Comentários

Uma resposta

  1. Caro, Aluizio.
    Excelente questão. Não, do meu ponto de vista, não precisamos de mais um hotel ou outro shopping center em São Paulo, ao menos naquela região. Precisamos restaurar e reativar o Ginásio do Ibirapuera, em todo seu esplendor arquitetônico e função esportiva. Isso sim seria um grande ganho para toda a cidade – inclusive do ponto de vista turístico.
    Impressionante a visão pobre e rasa que tem nosso governador atual.
    Espero que as Federações Esportivas Paulistas não acatem esse pedido, e, ao contrário, lancem um movimento de recuperação do glorioso Ginásio.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

15 − nove =