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Infectologistas pedem que governos gastem no que mantenha pacientes vivos

Da redação
17 de julho de 2020

Diante da controvérsia sem final aparente sobre o uso da hidroxicloroquina no tratamento das diferentes fases da covid-19, a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) resolveu colocar alguma objetividade na questão. No boletim lançado nesta sexta-feira (17), os especialistas pedem que os agentes públicos parem de gastar “em tratamentos que são comprovadamente ineficazes e que podem causar efeitos colaterais”.

Em vez disso, querem que os recursos sejam aplicados em medicamentos e equipamentos (confira o terceiro item da lista) que ajudem os pacientes a superar a doença, já que não há um tratamento comprovadamente eficaz contra o novo coronavírus. Em outras palavras, afirmam que a hidroxicloroquina deve ser deixada de lado, baseado nos resultados das pesquisas mais recentes e abrangentes realizadas nos EUA, Canadá e Espanha. Eles também afirmam que o medicamento não deve ser adotado de modo profilático e que, nas fases iniciais da doença, bastaria usar analgésicos e antitérmicos.

Confira as recomendações da SBI. “Diante dessas novas evidências científicas, é urgente e necessário que:

  • a hidroxicloroquina seja abandonada no tratamento de qualquer fase da covid-19;
  • os agentes públicos, incluindo municípios, estados e Ministério da Saúde reavaliem suas orientações de tratamento, não gastando dinheiro público em tratamentos que são comprovadamente ineficazes e que podem causar efeitos colaterais;
  • que o recurso público seja usado em medicamentos que comprovadamente são eficazes e seguros para pacientes com covid-19 e que estão em falta, tais como anestésicos para intubação orotraqueal de pacientes que precisam ser submetidos à ventilação mecânica, bloqueadores neuromusculares para pacientes que estão em ventilação mecânica; em aparelhos que podem permitir o diagnóstico precoce de covid grave, como oxímetros para o diagnóstico de hipóxia silenciosa; em testes diagnósticos de RTPCR da nasofaringe para pacientes sintomáticos; leitos de Unidade de Terapia Intensiva, bem como seus recursos humanos (profissionais de saúde) e respiradores.”

O boletim foi elaborado pelos infectologistas Clovis Arns da Cunha, presidente da SBI, Alberto Chebabo, Sergio Cimerman, Christiane Reis Kobal, Lessandra Michelin, Antonio Carlos de Albuquerque Bandeira, Priscila Rosalba Domingos de Oliveira, Marcos Antonio Cyrillo, Estevão Urbano Silva e Leonardo Weissmann.

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