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Hoje é o dia de pensar duas vezes e pedir bom senso a todos

“Bom senso é algo tão raro de achar como a genialidade”. Esta frase, proferida pelo filósofo americano Ralph Waldo Emerson no século 19, não poderia ser mais atual. Os ânimos exaltados e a possibilidade de termos um confronto do qual podemos nos arrepender neste Sete de Setembro nos impele em busca de um bom senso que parece ter sido perdido pela sociedade atual.

São poucos os que fazem parte da Turma do Deixa-Disso nos dois lados mais exaltados. Há muita gente que está torcendo para participar de uma briga, seja ela qual for. Em função dessa tresloucada busca pela desinteligência, é possível afirmar que a máxima de Emerson tenha uma atualidade incomum.

O bom senso em uma situação extremada é algo dificílimo de se encontrar. Se o tom de voz ou da comunicação utilizada por uma lado for errado, tudo pode ir por água abaixo. Se esse tom for forte demais, poderá haver consequências nefastas. Se, ao contrário, for muito suave, pode gerar reações mais agressivas.

Encontrar a melhor maneira de se comunicar com os adversários é um desafio permanente para quem está em combate. Mas, no Brasil de 2021, estamos no meio de uma divergência na qual aparentemente não há espaço para diplomatas ou negociadores. Os dois lados querem apenas trocar acusações e provocações mútuas. Não se sabe ao certo se esses grupos têm noção exata do que seus opositores podem fazer. Quem não está nos extremos, contudo, pode enxergar claramente os riscos que essa queda de braço pode trazer e torce para que o bom senso tome conta dos dois lados no dia de hoje e nos seguintes. Aliás, nesta contenda, talvez o Day After seja mais importante do que aquilo que vai ocorrer no Dia da Independência.

Na história internacional, há diversos exemplos de confrontos que trouxeram apreensão e dúvida. Um deles é a crise de mísseis soviéticos em Cuba, que em outubro de 2022 vai completar 60 anos. Foram treze dias que trouxeram preocupação e pesar junto aos americanos e russos.

Recapitulando: os Estados Unidos usaram um avião chamado U2 para tirar fotos aéreas de Cuba e descobriram na ilha várias plataformas de lançamento de mísseis. A proximidade dessas ogivas com o território americanos foi vista como inaceitável pelo presidente dos Estados Unidos, John Kennedy. Mas a atitude dos russos havia sido provocada pela instalação de bases de lançamento americanas na Turquia, bastante próximas da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.  

Os EUA exigiram a retirada dos misseis em Cuba e decretaram um bloqueio naval para a ilha de Fidel Castro. Navios soviéticos que quisessem furar o bloqueio teriam de ser revistados e aqueles que contivessem armas eram convidados a retornar às bases de origem. Até que os dois países rivais se entendessem, o mundo parou em expectativa.

No fundo, os dois lados torciam para que uma solução pacífica fosse encontrada.  E foi, em treze de outubro: os Estados Unidos se comprometeram a tirar suas armas da Turquia, enquanto os russos retiraram o equipamento bélico de Cuba.

Nosso conflito brasileiro, quase 59 anos depois, carece de bombeiros. E os dois lados buscam seguir uma moda que é um mal do século 21 – a lacrada. No afã de impressionar os amigos das redes sociais, os participantes dos protestos querem reforçar seu ponto de vista e fortalecer a militância para os tempos vindouros.

Até aí, tudo bem. Mas a possibilidade de termos um confronto sangrento tira o sono dos pacifistas. É importante lembrarmos dos conflitos ocorridos nos anos 1970 na Irlanda do Norte, em especial aquele que se deu em 30 de janeiro de 1972. Este episódio, ocorrido em um domingo, ficou conhecido como “Bloody Sunday”, e teve início com uma marcha, interrompida por uma barricada. O grupo, enfurecido, começou a protestar e os policiais responderam com tiros que mataram 13 pessoas no local.

A matança inspirou a canção “Sunday Bloody Sunday”, da banda irlandesa U2 (na foto, o vocalista Bono — coincidentemente, o nome da banda é inspirado no do avião que fez as fotos dos mísseis soviéticos em Cuba), cujos versos são impactantes:

“And the battle’s just begun/ There’s many lost, but tell me who has won? / The trenches dug within our hearts/ And mothers, children, brothers, sisters torn apart” (“E a batalha apenas começou/ Há vários derrotados, mas me diga quem ganhou/ As trincheiras abertas dentro de nossos corações/ E mães, crianças, irmãos, irmãs dilaceradas”).

Esperemos que nossos compositores não vejam nenhum episódio hoje que possa servir de inspiração para uma música tão triste e poderosa como esta.

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