Polarização e interior fortalecem atual governador contra petista na disputa paulista
Reportagem da Folha de S. Paulo destaca que o histórico das eleições em São Paulo e a força da direita no interior criam um cenário desfavorável para Fernando Haddad (PT) na disputa contra o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). A pesquisa Datafolha de julho mostra Tarcísio com 46% das intenções de voto, contra 30% de Haddad. Os demais pré-candidatos aparecem com percentuais baixos, o que reforça a tendência de concentração em duas forças principais.
Em eleições anteriores, quando houve polarização, o resultado foi definido já na primeira etapa. Em 2006, José Serra (PSDB) venceu Aloizio Mercadante (PT) com 58% dos votos, e em 2010 Geraldo Alckmin (PSDB) superou novamente Mercadante com 50,59%. Nos dois casos, a soma dos principais candidatos ultrapassou 85% dos votos, deixando pouco espaço para alternativas.
Hoje, a ausência de uma terceira via competitiva aumenta a possibilidade de repetição desse padrão. Paulo Serra (PSDB) e Kim Kataguiri (Missão), que poderiam dividir votos, desistiram da disputa. Especialistas ouvidos pela Folha avaliam que a eleição tende a se concentrar em Haddad e Tarcísio, o que pode levar à definição já no primeiro turno.
Outro fator decisivo é o interior paulista, historicamente resistente ao PT. Nas eleições municipais de 2024, partidos de centro e direita dominaram a maioria das prefeituras, com PL, PSD e Republicanos controlando grandes colégios eleitorais e cidades médias. Haddad venceu na capital em 2022, mas perdeu no interior e no litoral, o que reforça a dificuldade de ampliar sua base.
Apesar disso, aliados de Haddad afirmam que há espaço para crescimento com o início da campanha e apontam insatisfação de prefeitos com o governo estadual. Para o coordenador de seu programa, Emídio de Souza (PT), a disputa segue aberta e o ex-ministro teria melhores condições de desempenho no interior em 2026 do que em 2022.
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