Ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo do Reis afirmou que a pandemia do novo coronavírus “ainda não começou” em alguma áreas da Região Sul do Brasil, em especial no Rio Grande do Sul, onde há risco potencial. A entrevista foi dada à Agência France-Presse (AFP) e veiculada nesta quinta-feira (4).
A preocupação de Gabbardo é que as redes de saúde pública da região ainda não foram colocadas sob estresse. No Rio Grande, menos de 1% da população testada apresenta anticorpos para o novo coronavírus. O Sul apresenta, proporcionalmente, menos casos, ficando abaixo dos 30 óbitos por milhão de habitantes. Já na Região Norte estão os estados com maior número de casos confirmados relacionados à população: Amapá, Amazonas, Acre e Roraima. Em Belém, a capital do Pará, lidera a lista com 900 mortes por milhão. Dessa forma, essas regiões, assim como São Paulo, podem estar mais próximas do ápice da pandemia e, a seguir, de uma redução dos casos e dos óbitos.
Agora membro do Centro de Contingência do Combate ao Coronavírus em São Paulo, o médico gaúcho afirmou que nos estados sulistas pode acontecer como na Itália, que teve um número muito grande de óbitos no norte e não no sul. “A distribuição da pandemia não é muito homogênea. Mas temos muito receio, porque historicamente no Rio Grande do Sul e na Santa Catarina as próximas 4 semanas é o período em que todos anos há um volume muito maior de doenças respiratórias por conta do inverno. Se isso acontecer junto com o aumento dos casos de covid-19 pode ser uma pressão muito alta para que os estados possam garantir todo o atendimento. Agora, a Região Sul tem historicamente melhor oferta de leitos, bons hospitais, e pode ser que enfrente isso não com tanta dificuldade quanto os estados da região norte”, explicou.
Ex-número 2 na gestão do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, Gabbardo evitou críticas diretas ao governo federal e defendeu a reabertura das atividades econômicas: “Temos locais nos quais já é possível, com controle, pelos indicadores, dar tratamentos diferentes para cenários epidemiológicos diferentes.”
