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Em livro, Temer fala de impeachment, militares e Cunha

O ex-presidente Michel Temer é um escritor prolífico de pouca expressão, ainda que tenha seus méritos acadêmicos. Autor de livros de direito constitucional que, revisados e atualizados, seguem estudados em cursos de Direito há mais de duas décadas, ele também cometeu poesia de leve conteúdo erótico. Mas sua obra que promete despertar interesse é “A Escolha – Como um Presidente Conseguiu Superar Grave Crise e Apresentar Uma Agenda Para o Brasil”. Não se trata de um livro de memórias, mas uma série de entrevistas que concedeu ao professor de filosofia Denis Rosenfield que formam um registro dos bastidores políticos do governo Dilma Rousseff até a posse de Jair Bolsonaro – e algumas delações além.

O que fica claro na obra é a ligação estabelecida entre o então vice-presidente Temer e os militares, que estavam descontentes com a presidente e temerosos que ela pudesse revogar a Lei da Anistia, que perdoou crimes violentos cometidos por ambos os lados durante o Regime Militar (1954-1985). Quando jovem, Dilma participou da luta armada contra a ditadura, sendo presa e brutalmente torturada. O depoimento de Temer tenta derrubar de vez a hipótese de que participou de uma conspiração contra a presidente em meio a uma crise econômica. Para ele, o maior problema de Dilma foi o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha – hoje também enrolado com a lei. “O que aconteceu é que o PT agrediu muito o presidente da Câmara e, em face dessa agressão, ele não teve outra alternativa”, diz.

O livro funciona como um registro onde o ex-presidente, aos 80 anos e também enrolado em questões judiciais, dá a sua versão dos fatos e se apresenta como um moderado reformista que abraçou – e foi abraçado – por uma espécie de regime semipresidencialista que lhe deixou politicamente dependente de acordos e de apoios dos partidos aliados. “A Escolha” pode não se tornar um sucesso de vendas, mas certamente será uma leitura obrigatória para historiadores e analistas.

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