Americanos renovam o Congresso em votação que pode alterar o equilíbrio político do país, influenciar os mercados e ter reflexos no Brasil
Os Estados Unidos realizam nesta terça-feira (3) as eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, que definirão o equilíbrio de forças no Congresso durante os dois últimos anos do segundo mandato do presidente Donald Trump. A votação ocorre em meio à disputa entre republicanos, que tentam preservar suas maiorias, e democratas, que buscam ampliar sua representação no Legislativo.
Ao todo, estão em disputa as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado. Os americanos também escolherão 36 governadores, além de representantes estaduais e autoridades locais.
A participação eleitoral já chama atenção. Mais de 51 milhões de americanos haviam votado antecipadamente até o fim de semana, número recorde para eleições de meio de mandato. Nos Estados Unidos, os eleitores podem registrar seus votos antes da data oficial, presencialmente ou pelo correio, conforme as regras de cada estado.
Uma pesquisa Reuters/Ipsos, realizada entre 29 de outubro e 2 de novembro, mostrou que 52% dos eleitores prováveis declararam intenção de votar ou inclinação por candidatos democratas, contra 44% pelos republicanos. O levantamento também apontou aprovação de 32% para Trump.
O que está em jogo para Trump?
O resultado poderá alterar a capacidade do presidente de aprovar projetos, negociar o orçamento federal e implementar sua agenda econômica. Uma eventual maioria democrata em uma ou nas duas Casas aumentaria os obstáculos legislativos para a Casa Branca e abriria espaço para investigações parlamentares.
Por outro lado, a manutenção das maiorias republicanas facilitaria a tramitação de propostas alinhadas ao governo, incluindo medidas tributárias e de desregulamentação.
Os desdobramentos também são acompanhados pelos mercados financeiros. Mudanças nas expectativas sobre gastos públicos, impostos e política comercial americana podem influenciar o dólar, os títulos do Tesouro dos Estados Unidos e as bolsas internacionais, com possíveis reflexos no câmbio e nos juros brasileiros.
E os possíveis reflexos para Flávio Bolsonaro?
As eleições também podem ter consequências políticas para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que está nos Estados Unidos após deixar o Brasil em meio a restrições judiciais à sua saída do país.
Um grupo de 25 parlamentares democratas enviou uma carta ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, questionando se o governo Trump prestou auxílio ao senador brasileiro e à sua família.
Segundo especialistas ouvidos pelo g1, uma eventual maioria democrata poderia ampliar investigações e cobranças sobre o episódio. Entretanto, o Congresso americano não tem competência para determinar diretamente a deportação de estrangeiros, atribuição que envolve autoridades migratórias do Executivo.
A apuração dos votos ocorrerá ao longo desta terça-feira e poderá se estender pelos próximos dias, dependendo da diferença entre os candidatos e das regras de contagem de cada estado.
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