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E se fosse numa empresa?

E se fosse numa empresa?

Se os grampos entre Sergio Moro e Deltan Dallagnol fossem relativos à esfera privada, o que aconteceria com o ministro da Justiça e o promotor público? Imagine-se por um instante CEO de uma empresa cujo diretor passou por cima das regras de compliance. E que essas informações, embora verdadeiras, vieram a público através de um concorrente. O que este CEO deveria fazer?

O caso Sergio Moro, quando colocado neste panorama sem paixões políticas, é simples: o tal diretor teria de ser punido por desrespeitar as regras de melhores práticas. Numa multinacional, por exemplo, jamais se aceitaria a tese de que os fins justificam os meios. E tampouco se daria importância ao fato de que a informação da má conduta tivesse vindo de um inimigo. Este é o mundo dos negócios: frio e calculista.

Na esfera real, contudo, as pessoas estão divididas num conflito moral e ético.

Minimizar a atitude de Moro, de trocar ideias com a Promotoria sobre a investigação (que quebra o Muralha da China que deveria existir na Justiça), é fustigar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ser contrário ao Estado de Direito.

Condenar severamente Moro, apontando que o então juiz falou sobre estratégia com investigadores do caso (ignorando a imagem da Justiça cega, obedecendo apenas à balança dos fatos), é fortalecer o Estado de Direito e dar munição à defesa de Lula.

Neste caso, não há meio-termo. Ao escolher um lado, é preciso perder alguma coisa. Não há como defender o Estado de Direito sem ajudar Lula. Ou prejudicar Lula sem chamuscar a lei e as melhores práticas. Um dilema que não se via há muito na política.

A lei, contudo, nem sempre é justa. E está acima de todos.

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