Ela foi considerada culpada em um esquema de favorecimento em obras públicas. Desvios somariam US$ 1 bilhão
Atual vice-presidente da Argentina e ex-presidente (2007 a 2015), Cristina Kirchner (69 anos) foi condenada nesta terça-feira (6) a seis anos de prisão por envolvimento em uma esquema de corrupção com recursos públicos. A pena máxima era de 12 anos de prisão. Ela foi considerada chefe de uma organização criminosa que favoreceu o empreiteiro Lázaro Báez, que conseguiu 51 contratos para obras públicas. A promotoria alega que as fraudes somaram desvios de US$ 1 bilhão.
Kirchner nega as acusações e afirma ser vítima de perseguição política por parte de aliados do ex-presidente Mauricio Macri (2015-2019). A condenação se deu em primeira instância e cabem recursos, o que pode fazer com que os processos durem anos. Por ser vice-presidente – o que lhe confere também o cargo de presidente do Senado – Cristina possui foro privilegiado estará segura até o final do mandato do atual presidente, Alberto Fernández. Se o caso não andar, ela poderá se candidatar a um terceiro mandato, mesmo com uma condenação em primeira instância.
Além da atual vice-presidente, também foram condenados o empresário Lázaro Báez, o ex-ministro do Planejamento Federal, Julio de Vido, o ex-secretário da pasta, José Lopez, e o ex-chefe do departamento de obras, Nelson Pieriotti. O caso envolve também mais 8 participantes condenados.
O empreiteiro Báez é da região da província de Santa Cruz, onde Cristina Kirchner e seu falecido marido e também ex-presidente argentino, Néstor (de 2003 a 2007), começaram na política. Já a acusação de associação ilícita não foi comprovada.
Cristina Kirchner afirmou que o caso inteiro é uma farsa, pois as obras eram necessárias e foram úteis à sociedade. Ela também aponta outros problemas na lógica da acusação: “as decisões sobre investimento público são de competência exclusiva dos órgãos políticos e não há norma legal que estabeleça limites sobre como deve ser feita a sua distribuição”.
Em setembro ela foi vítima de um atentado fracassado.
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