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PATROCINADORES

Conheça as armas que o Brasil quer negociar no Golfo almejando US$ 6 bilhões

O Brasil tem interesse em vender equipamentos bélicos aos Emirados Árabes Unidos (EAU). Seria uma forma de voltar a ganhar mercado na sempre conflagrada região do Golfo Pérsico. Nos anos 1980, sob Saddam Hussein, o Iraque enfrentou o Irã empregando grande quantidade de blindados leves brasileiros e a Arábia Saudita usou veículos lança-foguetes. Neste domingo (3), o vice-presidente brasileiro, Hamilton Mourão, disse que não quer apenas vender para os árabes, mas abrir uma rede contínua de trocas comerciais, já que os EAU também se tornam produtores. Desde quinta-feira (30), o vice brasileiro participa da Expo de Dubai, evento mundial que ocorre a cada cinco anos – e foi atrasado em 2020 por causa da pandemia. Mais de 190 países, além de empresas e organizações internacionais, estão representados nos pavilhões. 

O objetivo do governo é incentivar a indústria local, em vista de um protagonismo similar ou maior ao atingido do final dos anos 1970 até o início de 1990, quando a finada Engesa e Bernardini ganharam projeção com blindados, com a Embraer vendendo aeronaves e a Avibras, foguetes, bombas e munições. Dessas, a Embraer se mantém firme no ramo militar, com seu caça leve Super Tucano e agora o transporte KC-390, seguido da Avibras. “É uma grande oportunidade para ambos os países, porque ambos produzimos produtos nessa área, produtos de grande valor. Então é uma área em que temos que sentar e conversar mais”, disse Mourão, na abertura do fórum de economia sustentável da Amazônia Emirados Árabes-Brasil, que reuniu empresários, investidores e autoridades governamentais.

Em 2018, o então ministro da Defesa, Joaquim Silva e Luna (ao centro), esteve na Avibras para ver de perto do MTC-300 Matador

A esperança é que em quatro ou cinco anos a balança comercial com os EAU atinja US$ 5,6 bilhões, o dobro do registrado em 2020. Entre as oportunidades para os Emirados está uma licitação para a compra de veículos blindados 8×8 que está em andamento no Brasil. De sua parte, os brasileiros têm interesse em vender sistemas de lançamento múltiplo de foguetes baseado no consagrado sistema Astro, da Avibras. Um armamento em constante aprimoramento desde a década de 1980. Seu mais recente avanço é o MTC-300 Matador (míssil tático de cruzeiro), guiado por GPS e disparável a partir de veículos Astro. O armamento segue em testes em Barreira do Inferno (RN). A ser incorporado pelo Exército, foi planejado para destruir pontes e instalações. Para evitar burlar tratados, o Brasil limitou seu alcance a 300 quilômetros.

Outra meta do Brasil é conseguir vendas de jatos da Embraer para companhias aéreas da região, que tem um mercado consolidado de aviação civil. Apenas nos Emirados Árabes há duas grandes companhias aéreas com grande presença internacional, a Emirates e a Etihad, além de outras como Flydubai e Air Arabia. “Existe uma expansão nessa região em termos do transporte aéreo. O próprio Brasil abriu o mercado de transporte aéreo para empresas estrangeiras, sem necessidade de ter um sócio brasileiro. E a Embraer também vai entrar nesse novo ramo do carro voador. É um amplo espaço que existe para progresso”, afirmou o vice-presidente.

Além de sistemas de grande porte e jatos comerciais consagrados, o Brasil tenta emplacar produtos nascentes que podem concorrer com americanos e europeus. Pouco conhecidos do público, mas dotados de sofisticação tecnológica, há o Mansup (na galeria), o MSS 1.2 AC (imagem de destaque) e a Alac (galeria). O Mansup (acrônimo para míssil antinavio de lançamento de superfície) é guiado por radar passivo e ativo, tem alcance de 70 quilômetros e pode danificar qualquer belonave moderna. Seu desenvolvimento pela brasileira SIATT, de São José do Campos, custou mais US$ 100 milhões, demorou 11 anos e a partir desse ano é empregado pela Marinha do Brasil junto com versões modernas do francês Exocet, da qual é uma derivação. Também da SIATT, o MSS 1.2 é um míssil anticarro operado por dois soldados de infantaria. Com 3 quilômetros de alcance e guiagem laser, pode destruir qualquer veículo com blindagem média ou leve existente. Contra os pesados tanques americanos, russos, alemães, israelenses e franceses, um disparo bem dado seria garantia de inutilização. Fabricado pela Gespi, que tem como acionista a israelense Rafael, a arma leve anticarro (Alac) com 300 metros de alcance é um dos itens mais baratos (na casa de dezenas de milhares de reais) e já interessa Chile, Equador, Peru e Argentina por ser um substituto mais em conta do americano AT4. Está em uso pelo Exército.

Menos conhecido e até com sua existência desconversada pela Aeronáutica, o Brasil também desenvolve uma versão lançada por aeronaves do míssil de cruzeiro MTC-300 Matador (galeria). Os testes de compabilidade estão em andamento e, caso se torne viável, abrirá um grande mercado militar. Esta versão seria a início da concretização do Micla-BR (míssil de cruzeiro de longo alcance). Guiado por GPS, o Matador lançado do ar também tem 300 quilômetros de alcance e pode ser incrementado com radar de abertura sintética (synthetic aperture radar – SAR), sensores infraermelho (IR) e câmeras nas faixas visível e IR. Daí a necessidade de deixá-lo com alcance reduzido, já que poderia até ser um fator de desequilíbrio e colocaria o Brasil na mira de sanções internacionais. Sua existência está prevista em documentos públicos, como o Plano Estratégico Militar da Aeronáutica 2018-2027 (Pemaer).

(com Agência Brasil)

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