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Atrasos e confiscos dificultam combate à covid-19

O enfrentamento ao coronavírus é prejudicado por problemas de ordens política e estrutural. Como resultado há menos infectados devidamente atendidos, profissionais de saúde atuam com mais insegurança e o número infectados está subestimado por falta de exames.

Desde os fabricantes chineses de respiradores artificiais até prefeituras do interior, surgiu uma disputa. Na semana passada, o envio de equipamentos para estados do Nordeste foi barrado em uma escala em Miami. O fabricante comunicou o cancelamento unilateral da compra. Houve suspeita de que o governo norte-americano haveria se “apossado” dos respiradores e coberto a compra. A embaixada no Brasil negou. Há temor de uma guerra comercial na forma de leilões atropelando contratos.

Na Grande São Paulo, a prefeitura de Cotia obteve na Justiça uma liminar que embargou respiradores fabricados por uma indústria sediada na cidade. A Guarda Civil levou caixas com equipamentos incompletos, que de nada serviriam. A Justiça reverteu a decisão, mas pacientes ficaram desassistidos no período. A falta de equipamentos de segurança fez com que 11 entidades da área médica pedissem a intervenção do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para regularizar os embargos e evitar escassez em cidades e hospitais que lidam com situações críticas.

Só em São Paulo há uma fila de 30 mil exames de coronavírus para serem concluídos.  Há amostras enviadas ao Instituto Adolfo Lutz – um laboratório público – desde meados de fevereiro. O prazo regular de 50 dias para a liberação dos resultados está há muito ultrapassado, prejudicando o dimensionamento da pandemia. Os exames na fila estão 150% acima do registrado em 30 de março, três dias antes do governador João Doria anunciar uma força-tarefa para resolver o problema. A prioridade deve ser para pacientes internados e casos de mortes suspeitas.

De acordo com o boletim epidemiológico divulgado na quinta-feira (9), pela Secretaria Estadual de Saúde, o Estado de São Paulo acumula 7.480 casos confirmados de infecção pela covid-19 e 496 mortes. Os registros e a curva de infecção devem subir acentuadamente após a análise das amostras atrasadas.

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