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Clonagem: quatro pontos em comum nas corrupções de Witzel e de Cabral

Os procuradores federais que investigam o esquema de corrupção nos contratos da Saúde do Estado do Rio de Janeiro encontraram uma série de similaridades entre o modo de atuação das quadrilhas formadas dentro dos governo de Wilson Witzel e de Sérgio Cabral – apesar de não haver indícios de ligações entre os grupos envolvidos. Witzel foi afastado por seis meses do cargo na sexta-feira (28) e Cabral, preso em novembro de 2016, foi condenado por 14 crimes na Lava-Jato e recebeu penas que somam 294 anos. Algumas “clonagens” supostamente também foram feitas pelo grupo do ex-governador fluminense Luiz Fernando Pezão, que já passou um tempo preso.

O inquérito do Ministério Público Federal (MPF) no caso que envolve Witzel soma mais de 400 páginas e possui uma centena de 100 citados. Na sexta-feira (28), foram cumpridos 83 mandados de busca e apreensão e 16 de prisão, por determinação do ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Também é investigado o vice-governador, Cláudio Castro, que assumiu o lugar do titular eleito.

O ex-secretário de Saúde do Rio, Edmar Santos, contou como o dinheiro era dividido: ele (Santos) ficaria com 30%; o governador Witzel e o pastor Everaldo, presidente nacional do PSC e controlador político da Saúde estadual, com 20% cada; os 30% restantes eram divididos em partes iguais por Edson Torres, o operador administrativo do pastor, e Victor Barroso, apontado como o operador financeiro do esquema. Não há certeza sobre o montante roubado dos cofres públicos, mas indícios apontam que se o grupo tivesse sucesso, poderia se apoderar de até R$ 400 milhões.

Modus operandi resumido

  • Dinheiro vivo: as despesas rotineiras dos integrantes do esquema eram pagas em “cash”, mesmo quando em grandes valores;
  • Transportadoras de valores: o atual governador teria usado a empresa Fênixx para transportar dinheiro, enquanto Cabral usou a TransExpert. Apontado como operador financeiro, Victor Barroso é sócio da Fênixx;
  • Advogados lavadores de dinheiro: Witzel teria se valido do escritório da primeira-dama, Helena, assim como Cabral fez com o de sua esposa, Adriana Ancelmo;
  • Conexões no Uruguai: ambos dois esquemas teriam se valido dos préstimos dos doleiros Vinícius Claret, conhecido como Juca Bala, e Claudio Fernando de Souza, que atuam em Montevidéu.

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