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Cientista político diz que governo chileno não soube agir para conter protestos

Cientista político diz que governo chileno não soube agir para conter protestos

Nos últimos dias, o Chile enfrentou uma onda de protestos nas ruas que resultaram na morte de 15 manifestantes, serviços paralisados e o governo federal acuado. Professor de estudos liberais na Universidade de Nova York, o cientista político Patrício Navia ministra aulas sobre o modelo de democracia no Chile. Em entrevista a MONEY REPORT, concedida desde Santiago, Navia analisa os efeitos da crise.

Quais foram as causas dos protestos?

Os protestos começaram por causa do aumento das passagens do transporte público na cidade de Santiago. Um grupo de estudantes mobilizou as pessoas para não pegar o metrô. As manifestações então cresceram e o metrô suspendeu os serviços.  Foi um caos e o governo reagiu, decretando estado de emergência e toque de recolher. Houve saques em diversas partes do país. O governo demorou para reagir, para perceber a gravidade da situação. Quando decidiu colocar o Exército nas ruas, não deu autorização para que a violência fosse reprimida. Os soldados estavam nas ruas, mas não tinham permissão para agir. Com isso, o movimento ganhou força. É preciso dizer que essa geração do Exército chileno não tinha experiência na contenção de protestos. Os militares só tinham ido às ruas nos desastres naturais, como terremotos, alagamentos. Quando precisaram agir, já era tarde demais e a violência saiu de controle — tanto do lado dos
manifestantes quanto dos militares.

Foram registradas 15 mortes dos manifestantes. Isso foi culpa da falta de preparo do Exército?

Há um entendimento errado em relação às mortes. A maioria delas ocorreu nos incêndios, enquanto os saques aconteciam. Foram 12 mortos nessa situação. Duas pessoas foram atingidas por balas: uma das balas era da polícia e outra, do Exército. A última vítima foi atropelada por um caminhão do Exército. É importante entender que na maioria dos países o Exército está preparado para combater inimigos externos, mas não cidadãos, nem protestos sociais.

O aumento das passagens desencadeou os protestos, mas havia algum outro problema estrutural no país?

O aumento das passagens foi o motivo imediato dos protestos. Porém, a causa real foi o fato de o Chile ter crescido muito, com muitas oportunidades e educação de qualidade, mas com altos níveis de desigualdade. Os protestos revelaram que a população chilena quer uma distribuição melhor do crescimento, que as leis se apliquem também aos poderosos. Os chilenos gostam do Chile, mas não se sentem inclusos no próprio país.

Os protestos no Chile podem reverberar em outros países?

Cada país tem seus próprios problemas. No Equador, também houve aumentos no transporte, mas há um plano do FMI para reduzir custos. A situação do Brasil é diferente. Vemos um presidente que está executando uma importante agenda de reformas. A situação da economia chilena é diferente.

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