O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, deu 24 horas para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre os pedidos da Advocacia-Geral da União (AGU) e da defesa do ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, sobre a liberação do vídeo de uma reunião de ministros e autoridades com presidente Jair Bolsonaro. A determinação foi emitida na tarde desta sexta-feira (8).
A reunião ocorreu em 22 de abril, com a presença do vice-presidente, Hamilton Mourão, ministros, incluindo Moro, e presidentes de bancos públicos. Os vídeos devem ser enviados à Corte até segunda-feira (11).
Nas gravações estariam as evidências apontadas por Moro de que Bolsonaro, de fato, tentou interferir no trabalho da Polícia Federal (PF) de modo a preservar seus interesses. Em especial nas investigações sobre seu filho, o senador Flavio Bolsonaro. A PGR precisa se manifestar, já que a AGU defende restrições ao envio da gravação. A defesa de Moro quer a remessa integral do conteúdo, nem que só parte seja divulgado no processo.
No despacho proferido na terça-feira (5), Celso de Mello pediu a cópia da gravação à Secretaria-Geral e à Secretaria de Comunicação da Presidência da República para atender o pedido de diligência feito pela PGR no inquérito que apura as declarações do ex-ministro da Justiça. A reunião foi citada por Moro em depoimento à PF na semana passada.
No início da tarde desta sexta-feira, a AGU solicitou que seja determinada uma cadeia de custódia, delimitando quais órgãos devem ter acesso ao vídeo, considerado sensível. Há a suspeita que na gravação, Bolsonaro e ministros também tenham criticado e injuriado os ministros do STF.
