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Carta ao governador Doria sobre o lockdown aos finais de semana

Caro Governador,

Esta carta foi escrita em uma semana em que o senhor começou em estado de glória, com a aprovação da CoronaVac, e terminou anunciando uma medida sem muito cabimento no combate à pandemia. Estou falando desse lockdown mais ou menos, no qual o comércio precisa ficar cerrado nos finais de semana e aos feriados (o fechamento de estabelecimentos entre 20 e 6 horas, convenhamos, é apenas uma antecipação em duas horas do que já existia anteriormente).

Praticamente todos os especialistas dizem que a eficácia de um lockdown tem a ver com seu prazo. E que ele surte efeitos a partir de uma quarentena radical de quinze dias. Este seria o tempo necessário para se quebrar uma onda de contágio e, assim, se preservar a integridade do sistema de saúde, além de preservar vidas.

A medida anunciada, no entanto, não chega a produzir o efeito benéfico provocado pelo isolamento absoluto – mas trará prejuízos para empresários, em especial aos do comércio. Para quem se diz um devoto da Ciência, o governador resolveu adotar uma medida que parece ser inócua.

Qual é a impressão que se tem? O senhor teria de criar um lockdown completo, mas decidiu não ser tão enérgico. Há um ditado que minha mãe costumava dizer e pode ser considerado um tanto chulo nesses tempos politicamente corretos: ou calça de veludo ou bunda de fora. O senhor decidiu ficar no meio do caminho, com um pé em cada canoa. Isso vai surtir algum efeito?

Essa medida tem tudo para se juntar a outras que foram adotadas sem efeito, pelo prefeito Bruno Covas, como o rodízio par-ímpar de automóveis e fechamento de avenidas. Com o ônus de comprometer a economia local.

Não seria melhor descer do muro e fechar tudo durante quinze dias?

Para isso, é preciso entender, como o senhor disse no pronunciamento de agora há pouco na sexta-feira, que a razão está na ciência e na medicina.

Ao citar a ciência e criar um lockdown nem-lá-nem-cá, o senhor corre o risco de desagradar a todos. Para quem é candidato à presidência da República, isso pode ser bastante complicado.

Atenciosamente,

Aluizio Falcão Filho

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