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Brigando até com o próprio partido

Brigando até com o próprio partido

Um amigo do presidente Jair Bolsonaro, que desfruta semanalmente de sua companhia, costuma resumir da seguinte forma o temperamento do mandatário: “Se o Jair vê uma piscina com a água lisinha, ele não resiste e joga uns três para dentro”.

Ou seja: o presidente, ao contrário do ditado, faz tudo para entrar numa briga e nada para sair dela. Nestes primeiros dez meses de governo, acumulou rusgas com inúmeras pessoas. Apesar desta animosidade, conseguiu aprovar medidas importantes para a economia brasileira.

Mas seu estilo belicoso gerou uma pinimba aberta com a imprensa e uma relação conturbada com o Congresso Nacional: de cada quatro vetos seus a leis diversas, um foi derrubado pelo Parlamento.

A celeuma, agora, chegou ao próprio partido, o PSL. Já corriam boatos de que Bolsonaro teria interesse em se filiar a outra agremiação — algo inédito desde pelo menos 1945. Nesta semana, o desentendimento ficou mais explícito: o presidente mostrou sua irritação com a agremiação e disse para um interlocutor esquecer o PSL. De brinde, disse o presidente da sigla, Luciano Bivar, estava “queimado”.

Há várias razões para essa discórdia.

A primeira, dizem observadores palacianos, seria o desconforto criado com denúncias de caixa dois envolvendo o partido. Curiosamente, no entanto, o personagem principal deste caso, o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, permanece em seu cargo por decisão do próprio presidente.

Há também a insatisfação crescente entre os parlamentares do PSL junto ao governo, em busca de cargos, verbas ou prestígio. Não necessariamente nesta ordem. Este desgaste gerou rusgas, algumas irreconciliáveis, que podem ser decisivas num eventual rompimento entre o presidente e a agremiação comandada por Bivar.

Quem ganharia com a saída de Bolsonaro do PSL? Muitos apontam o Patriota como o destino do presidente. Mas trata-se de uma agremiação de apenas nove deputados, que se notabilizou no ano passado por patrocinar a nanica e exótica candidatura do Cabo Daciolo. Pode até ser um destino para o presidente — mas, sem dúvida, trata-se de uma casa pequena demais para abrigar alguém que ocupa a presidência da República.

A saída seria fundar um novo partido? Uma possibilidade factível, mas trabalhosa. O fato é que alguns nomes portentosos do PSL, aproveitando a insatisfação presidencial, começam a flertar com outras agremiações. O DEM é uma delas e deve receber pelo menos cinco parlamentares que se desgastaram com Luciano Bivar mas não necessariamente querem acompanhar Bolsonaro numa eventual mudança de agremiação.

Essa mexida no cenário político pode sacudir a divisão de poderes existente hoje na Câmara Federal. Mas isso ocorreria ainda este ano? Dificilmente. Mas, com o presidente Bolsonaro, fazer previsões é flertar constantemente com o erro.

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