A diplomacia e os interesses econômicos brasileiros vão sofrer com a perda de vaga na composição da nova cúpula da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), promovida pelas Nações Unidas. Foi uma barbeiragem diplomática em série e desnecessária.
O Brasil rejeitou uma candidata chinesa à cúpula, abrindo mão de sua autonomia para apoiar Cingapura, aliado dos Estados Unidos. Sem sucesso, a China pressionou o Brasil, oferecendo vantagens em contratos de longo prazo para a compra de commodities, além de investimentos em energia e infraestrutura. O Itamaraty não cedeu e, pior, internamente barrou seu próprio candidato, José Graça Aranha, ex-presidente do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), visto com desconfiança pela chanceler Ernesto Araújo (imagem).
Em 2008, Graça Aranha perdeu a eleição para diretor-geral da OMPI por um voto, queria tentar de novo e tinha apoio internacional. Pela regra informal de rotatividade, caberia agora a um asiático ou a um latino-americano o comando da entidade. Sem um nome seu, o Brasil também rejeitou o candidatos da Colômbia e do Peru, o que causou desconforto. Resultado: foi perdida a chance quase certa de colocar um brasileiro no comando de um organismo internacional em troca de muito pouco. O Brasil deve indicar um diretor-geral assistente que pode atuar com patentes, marcas, direitos autorais ou cooperação e desenvolvimento.
A OMPI foi criada para promover a defesa da propriedade intelectual e facilitar a transferências tecnológicas industriais para países em desenvolvimento.
