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Bolsonaro, Mandetta e Doria: o perigo da superexposição

Político tem de aparecer. Esta máxima é seguida por dez entre dez marqueteiros do mercado. Se o político quer ser eleito, precisa se expor. Se deseja a reeleição, é necessário aparecer muito mais. Essa é a lógica por trás do comportamento de todos aquele que ocupam cargos eletivos.

Há momentos, no entanto, que a superexposição produz efeitos colaterais nocivos. Tome-se o exemplo da iniciativa privada e façamos um pequeno exercício: crie uma lista mental com os maiores empresários do Brasil (cada um tem a sua).  O que todos os nomes que figuram neste ranking têm em comum? Dão pouquíssimas entrevistas ou em raros momentos falam diretamente com a sociedade.

O que fazem os políticos? O contrário dos empresários. E, quando estão diante de uma crise, como o Presidente Jair Bolsonaro, o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e o Governador de São Paulo, João Doria, querem ocupar todos os espaços possíveis.

Bolsonaro dá declarações no cercadinho do Palácio do Alvorada todas as manhãs, Mandetta tem sua rotina de entrevistas coletivas e Doria idem. Curiosamente, os três personagens começaram a sofrer críticas depois de algum tempo colhendo elogios. O presidente Bolsonaro, é verdade, começou a ser julgado antes de Mandetta e de Doria, minado por uma briga com a imprensa que, é bom lembrar, ele mesmo ajudou a construir. O ministro da Saúde, no início da pandemia, foi visto como uma voz de liderança e de apaziguamento dos ânimos. Já faz quase duas semanas, contudo, que deixou de ser unanimidade e sofre críticas até de inimigos do presidente. Por fim, João Doria faz questão até de coordenar as coletivas do comitê paulista de combate ao coronavírus. Também está sendo alvo de apupos – e não só de bolsonaristas ferrenhos.

Obviamente, não se espera que um político fique submerso numa situação como a atual. Mas a atual superexposição precisa ser reavaliada. Muitas vezes, é melhor colocar os subordinados à frente para avaliar ideias e conceitos. Mandetta, dos três, é o único que deixa a equipe aparecer um pouco mais. Mas, mesmo assim, exagerou no protagonismo e acabou incomodando a chefia. No caso, Bolsonaro.

Quando um político fala demais, a importância de suas declarações diminui. E o eleitorado, implacável, começa a julgar tudo o que é dito ou feito. É nessa hora que os inimigos aproveitam para jogar cascas de banana, soltar boatos, fake news ou simples maldades. Bolsonaro, Mandetta e Doria sofrem deste mal ao mesmo tempo. E estão brigando entre si (menos o ministro e o governador – por enquanto). Não seria a hora de falar menos, deixar os técnicos em evidência e despolitizar o discurso em torno da pandemia?

Isso seguramente trará grande alívio a muitos eleitores.

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