Ex-primeira-dama deixa o comando do PL Mulher e concentra esforços em candidatas, lideranças evangélicas e mobilização fora da estrutura partidária
Michelle Bolsonaro passou a reorganizar sua atuação política após deixar a presidência do PL Mulher e romper politicamente com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo O Globo, a ex-primeira-dama pretende manter sua influência entre mulheres conservadoras e o eleitorado evangélico mesmo sem ocupar uma função formal no partido.
A estratégia envolve o apoio direto a candidaturas consideradas prioritárias, a participação em campanhas estaduais, a aproximação com lideranças religiosas e o fortalecimento do movimento “Imparáveis”, lançado como uma frente de mobilização sem vínculo partidário.
De acordo com aliados ouvidos pelo jornal, Michelle reduziu a exposição pública durante a crise com Flávio, mas intensificou reuniões virtuais, gravações de vídeos e contatos com parlamentares, prefeitas, vereadoras e dirigentes estaduais que ganharam projeção durante sua passagem pelo PL Mulher.
A ex-primeira-dama teria selecionado um grupo de 19 candidatas que pretende acompanhar mais de perto nas eleições deste ano. Entre os nomes citados estão Rosana Valle, Ana Campagnolo, Cris Tonietto, Bia Kicis, Carol de Toni e Priscila Costa.
O entorno de Michelle avalia que a eleição de uma bancada ligada à ex-primeira-dama poderá preservar seu espaço dentro do bolsonarismo, independentemente da ausência de um cargo partidário. A atuação também deverá priorizar viagens a estados como Santa Catarina e Roraima, além de compromissos no Distrito Federal.
Parte da mobilização continuará sendo realizada a distância, com reuniões por videoconferência, mensagens a lideranças locais e conteúdos para redes sociais. O formato foi adotado para que Michelle permanecesse mais tempo em Brasília ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.
Outro foco será o eleitorado evangélico. A ex-primeira-dama deverá ampliar a presença em congressos femininos, encontros religiosos e eventos promovidos por igrejas com as quais mantém relação.
Apesar do afastamento em relação à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, integrantes do PL avaliam que Michelle continuará atuando como cabo eleitoral da legenda. Ela também é pressionada pelo presidente do partido, Valdemar Costa Neto, a disputar uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal, mas ainda não anunciou uma decisão.
