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A economia coloca a reeleição de Bolsonaro em xeque?

O presidente Jair Bolsonaro, dizem as pesquisas, tem altos índices de rejeição. Mas isso não necessariamente durará até o pleito de 2022 – pelo menos, é o que esperam os assessores graduados do Planalto. A aposta da equipe de Bolsonaro é que a economia em recuperação e o novo plano de assistência social pudessem reverter o quadro negativo e recuperar a competitividade do candidato.

Há, no entanto, uma pedra neste caminho. Trata-se justamente da tão esperada recuperação econômica. Em conferência com economistas nesta semana, diretores do Banco Central foram confrontados com a possibilidade de um descontrole fiscal no ano que vem e dos efeitos da inflação atual (não é à toa que as bolsas de valores têm refletido esse receio).

Os sinais macroeconômicos, de fato, estão confusos. Há setores que estão retomando suas atividades acima do período pré-pandêmico. Outros, contudo, sofrem para turbinar as vendas. Em entrevista publicada ontem no jornal O Estado de S. Paulo, o economista Affonso Celso Pastore diz que “o ano de 2022 é de perspectivas ruins”. Vamos dizer que Pastore, um notório pessimista, esteja exagerando. O fato é que esta mesma impressão é compartilhada pelo mercado financeiro e por boa parte das indústrias.

Ontem mesmo, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, entrou na discussão em evento voltado para empresários. Sobre o comportamento fiscal do governo, ele revelou que as projeções para a dívida bruta melhoraram, quando comparamos o cenário atual com o de cinco meses atrás. E que o BC fará de tudo para controlar a inflação.

A fala de Campos tranquilizou uma parte dos empresários, mas ainda há quem se sinta desconfortável e aposte em um cenário difícil à frente.

Diante dessas incertezas, é necessário imaginar como eventuais dificuldades podem interferir na política. Bolsonaro terá um crescimento eleitoral turbinado pelo novo Bolsa Família, que atenderá 4 milhões de pessoas a mais que o projeto anterior e oferecerá um benefício reajustado em cerca de 100%. Isso trará inevitavelmente dividendos nas urnas. Mas, para obter uma equação de fato vitoriosa o governo precisaria de uma economia em alta, para que os índices de desemprego sejam atenuados e exista otimismo no ar. Sem isso, uma boa parte do capital político da situação se esvai.

O nó está na inflação. Para combatê-la, é necessário elevar os juros. O aumento das taxas leva à queda da atividade econômica e impede um período de bonança. E pode colocar os milhões de desempregados contra o governo. Muitos analistas esperam uma expansão apenas de 2% no PIB de 2022, o que seria insuficiente para gerar empregos e consumo no nível desejado pelo Ministério da Economia.

Vamos supor que Paulo Guedes resolva aderir aos desenvolvimentistas e irresponsavelmente anabolize os gastos públicos sem aumentar os juros – uma hipótese remota. Neste caso, a inflação daria um novo repique. E, como se sabe, a espiral inflacionária é o pior instrumento para reduzir o poder aquisitivo e trazer dificuldade na gestão das empresas.

Dessa forma, o governo tem diante de si um enorme desafio. Se correr, o bicho pega (juros em alta refreiam o crescimento); se ficar, o bicho come (a inflação corrói o poder de compra dos eleitores).

Até agora, muitos analistas estudaram as chances de Bolsonaro levando em consideração uma recuperação econômica forte que traria votos em sua esteira. Mas, e se essa retomada não vingar? Neste caso, teríamos uma transformação do cenário político. Teoricamente, a desaprovação do presidente continuaria em alta e isso poderia trazer dificuldades na campanha. Como se sabe, nessas horas de dificuldade, Bolsonaro tende a radicalizar e endurecer o discurso. Isso deve voltar a ocorrer inúmeras vezes até a apuração dos votos, independentemente do resultado final.

Com as probabilidades do presidente ameaçadas por uma economia fraca, o que pode acontecer?

Essa pode ser uma boa notícia para os eleitores de Terceira Via, que teria a chance de receber a adesão dos insatisfeitos com a condução da política econômica. Porém, Bolsonaro não cairá indefinidamente nas pesquisas. Há um grupo consistente de apoiadores que votará nele sob qualquer cenário – e este percentual do eleitorado tem condições de levá-lo ao segundo turno (hoje, o adversário mais provável seria Luiz Inácio Lula da Silva).

Para que algum representante da Terceira Via consiga uma vaga na etapa final das eleições precisará obter índice de intenções de voto superior a 20%. Mas a única forma de isso ocorrer é a concentração de votos em cima de um único nome, o que hoje ainda é improvável. Isso pode ocorrer? Como estamos no Brasil, é difícil, mas não impossível.

Nessa altura do campeonato, entretanto, não há condições de se prever nada com acurácia. Apenas traçar cenários e esperar a ação do tempo. Quem cravar uma opção, agora, não realizará uma previsão séria. Estará, isso sim, tentando adivinhar um placar final ou simplesmente torcendo para um candidato.

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