Preto Zezé critica o preconceito de parte da esquerda em relação à iniciativa privada
Em entrevista ao jornal O Globo, o presidente da Central Única das Favelas (Cufa), Preto Zezé, afirmou que o governo Lula enfrenta uma “crise de criatividade” para dialogar com os jovens brasileiros. Segundo ele, essa geração cresceu em meio à polarização política e à descrença nas instituições, marcada por promessas não cumpridas de mobilidade social e estabilidade. O resultado é um afastamento crescente dos políticos tradicionais e uma demanda por autonomia e perspectivas concretas de futuro.
Zezé avalia que o lulismo, historicamente associado ao acesso a políticas públicas e oportunidades, não consegue responder às novas expectativas. Os jovens, diz ele, não querem depender do Estado, mas sim construir seus próprios caminhos, muitas vezes por meio do empreendedorismo. Nesse ponto, o ativista critica o preconceito de parte da esquerda em relação à iniciativa privada, lembrando que abrir um negócio é visto por muitos como afirmação de dignidade e independência.
A frustração com políticas que não se traduzem em mudanças reais no cotidiano, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, reforça o sentimento de descrença. Para Zezé, o governo ainda fala com os jovens de forma genérica, sem compreender que hoje o “boleto atravessa mais que o sindicato” e que a tela do celular substituiu a porta da fábrica como espaço de mobilização.
Esse cenário, segundo ele, alimenta o risco de abstenção eleitoral entre os jovens, que já votam por rejeição e não por identificação. Sem respostas criativas e concretas, o lulismo pode perder espaço justamente junto à geração que deveria ser protagonista de sua agenda de inclusão.
